QUANDO OS FINS DE SEMANA NÃO TÊM FIM!

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Finalmente é sexta-feira! Esta é uma frase que, a princípio, todos gostamos de ouvir, a não ser que comecemos a pensar que a sexta-feira é aquele dia que antecede o fim de semana caótico com as crianças todo o dia em casa aos gritos, ou a liderarem a melhor posição no sofá e a tomarem conta da televisão.

As manhãs de sábado que pensámos aproveitar para ficar até mais tarde na cama, subitamente, são interrompidas por uns passinhos que se fazem soar ao longo de um corredor e a nossa cama passa a ter capacidade para acolher um batalhão. E começa mais uma correria de fazer camas, tomar banhos, vestir, preparar os pequenos almoços e toda uma panóplia de tarefas que só conseguimos fazer neste dia, como por exemplo: pôr roupa a lavar, limpar o pó, aspirar a casa, enfim… mil e uma coisas que nos dão imenso prazer!

E quando olhamos para o relógio, que não devia ser uma preocupação neste dia, supostamente dia de descanso, já estamos atrasados na preparação do almoço, sim do almoço pois, por ser fim de semana, também se faz por casa.

E a tarde já lá vem, as limpezas continuam e as crianças, essas, estarão ou a desarrumar qualquer coisa, ou a brigarem porque um quer ver um programa e o outro quer ver outro, ou porque um quer um brinquedo que o outro tem, uma tragédia! Não sei o que é pior! Os gritos deles ou os nossos a gritar com eles – estejam quietos, estejam sossegados, vão ficar de castigo. Ameaças várias que na maioria das vezes não surtem no resultado pretendido – a calma e a tranquilidade de um fim de semana tão desejado.

A noite não tarda e quando damos por nós estamos mais cansados do que num outro dia qualquer da semana, desejosos que os miúdos vão para a cama e que nós, finalmente possamos desfrutar daquele lugar do sofá que em tempos era só nosso, não para ver televisão, mas talvez para adormecer ou “descansar de olhos fechados” como muitas vezes fazemos questão de referir.

Finalmente domingo! Para muitos pais é “O” dia que antecede a tão esperada segunda-feira. É “O” dia em que preparamos o começo de mais uma semana, é “O” dia em que preparamos os bibes, as mochilas, organizamos as roupas, ou seja, é “O” dia que mais uma vez fazemos mil e uma coisas que nos deixam completamente esbaforidos.

Mas será que os fins de semana têm de ser assim? Claro que não! Devemos ver os fins de semana como a verdadeira oportunidade de estar com os nossos filhos, de conhecer os nossos filhos, de passar momentos agradáveis com eles, de descansar um pouco da correria semanal. Como? Simples! Experimente as dicas que aqui lhe deixo:

. coloque a roupa para lavar sexta-feira à noite e estenda-a (será um esforço extra, mas vai ver que compensa);

. a limpeza da casa pode ser distribuída pelos dias da semana, por exemplo – segunda-feira limpa a sala, terça-feira a cozinha, quarta-feira limpa os quartos, vais ver que não lhe custa tanto a si e ao sábado de manhã não terá de correr quase meia maratona para fazer todas estas tarefas.

Fazendo só isto vai ver que o seu fim de semana será muito mais tranquilo e prazeroso. E como usufruir de um fim de semana tranquilo em família? Há inúmeras coisas que pode fazer para se divertir com os mais novos. Veja o que lhe sugiro:

  • Se o tempo estiver agradável aproveite para sair de casa de manhã com as crianças, pode dar um passeio num parque local e, até aproveitar e almoçar por lá, faça um piquenique, os seus filhos vão certamente adorar a ideia;
  • Apanhem folhas caídas para fazer uma colagem, fica muito giro na decoração da casa e é económico;
  • Aproveitem a tarde para fazer uma visita de interesse cultural, visite a sua cidade como se nunca lá estivesse estado, como se fosse um turista e vai ficar surpreendido com o que vai descobrir;
  • É tempo de castanhas, compre castanhas e saboreiem-nas juntos;
  • Visitem um museu ou uma exposição local;
  • Visitem uma biblioteca e aqui até poderá requisitar um livro para ler em casa com os seus filhos;
  • Experimentem um meio de transporte diferente, um passeio de barco, um passeio de comboio ou até mesmo um passeio num autocarro panorâmico, vão fazer certamente sucesso junto dos mais novos;
  • Poderá optar por fazer uma sessão de cinema em casa com direito a pipocas;
  • Faça um bolo com os seus filhos, eles vão gostar de pesar os ingredientes e de misturá-los;
  • Monte um puzzle com os pequenos, ou faça um jogo que eles tenham escolhido;
  • A preparação do jantar pode ser feita em conjunto, diga aos seus filhos que se trata de um jantar especial, em que precisará da ajuda deles. Coloque uma toalha diferente, peça-lhes ajuda para pôr a mesa, vão gostar de ajudar e não fará tudo sozinha;
  • Ao deitar pode ler-lhes uma história;

Como vê há inúmeras coisas que pode fazer em família sem qualquer tipo de custo. O tempo em família é tão pouco que o devemos aproveitar da melhor maneira.

Vanessa Chinelo, Professora e colaboradora na Sociedade do Bem

Publicado originalmente em Tribuna Alentejo

 Imagem: www.heidichowenphotography.com

A ARTE DE BRINCAR

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No passado dia 10 de outubro celebrou-se uma data especial: o Dia Mundial da Saúde Mental, celebração anual da educação, consciencialização e defesa da saúde mental. Nos dias que decorrem cada vez mais observamos crianças apáticas, desligadas do entusiamo do começo das suas vidas, menos exploradoras e aventureiras.

Em Portugal, denota-se um aumento de crianças e adolescentes com sintomatologia depressiva, perturbações ao nível da hiperatividade, do défice de atenção, do comportamento desafiante ou desviante. Na origem desta problemática estão fatores como a educação, as políticas de saúde, pais menos envolvidos na vida educativa e pessoal das crianças, entre outros fatores relevantes.

Gostava de vos contar uma história baseada um pouco nesta temática. Espero que gostem e que retirem uma mensagem dela:

Um assobio soava pela rua. Está na hora, pensava, acompanhada de um sorriso. Agarrava na minha mala repleta de brinquedos (berlindes, cromos, cadernetas, cartões feitos por nós das personagens favoritas, lego, playmobil, barbies e outras traquitanas) e saia porta a fora a correr. “Joana, não saias da rua, quero estar a ver-vos!”, dizia a minha mãe na varanda.

De frente para a minha casa brincava com as minhas amigas de infância. Eramos seis raparigas e cada uma com uma personalidade mais diferente da outra. Ovque tínhamos em comum? A amizade que nutríamos umas pelas outras, muitos sonhos e muita imaginação.

O que fazíamos antes da Era Tecnológica?

Inventávamos coisas para nos divertimos. O quê (perguntam vocês)? Fazíamos coreografias dos Backstreet Boys, cada uma escolhia quem queria ser… uma Spice Girls ou uma das Navegante da Lua, entre outras brincadeiras que nos enriqueciam.

Escrevíamos cartas que colocávamos escondidas nos quintais umas das outras. Uma vez uma de nós quase ficou com uma carta ilegível porque um bichinho decidiu almoçar as nossas palavras. Enfim, era a nossa infância naqueles dias… interativa, dinâmica, criativa, improvisada… mas repleta de vida.

Não vos vou mentir. Também gosto de jogos eletrónicos. Quando tive a minha única consola, a Sega Mega Drive, também era capaz de ficar horas infinitas a jogar Super Mário ou Sonic: The hedgehog. Mas a diferença reside na felicidade verdadeira que era estar com amigos e amigas a brincar e a rir.

Não vos quero parecer velha ou antiquada mas gostava de vos dar a conhecer o meu ponto de vista sobre os jogos informáticos, de consola ou os que encontramos em dispositivos móveis, que são bons e úteis para as crianças, sobretudo para o aumento da capacidade de resolução de problemas e no desenvolvimento do raciocínio matemático, por exemplo.

Contudo, pode atrapalhar o processo imagético das crianças, ou seja, diminui a capacidade imaginativa das crianças. É claro que existem imensas crianças que jogam e que são muito criativas e imaginativas, sem qualquer problema. A questão é que existem muitas crianças que o desenvolvimento da imaginação seria uma ferramenta muito importante a qual só é adquirida através do brincar.

É claro que não podemos falar em brincar e imaginação sem nos lembrarmos de bandas desenhadas como o Calvin and Hobbes ou o Charlie Brown. Recordo com carinho as palavras de um professor universitário que marcou o meu percurso académico, o Emílio Salgueiro : “Se querem conhecer o verdadeiro mundo da criança têm de ler as bandas desenhadas do Calvin and Hobbes ou do Charlie Brown”.

Afinal de contas… quem não teve um amigo imaginário? Quem não teve o seu peluche favorito e que o levava para todo o lado? Quem não tinha medo do desconhecido? Do “papão” e do escuro? Quem não fez de conta de que era a sua personagem de desenho animado favorito? Quem não achava o mundo dos adultos uma verdadeira seca? Quem não pulava de um sofá para o outro com entusiamo e medo ao mesmo tempo ao imaginar que tinha lava no chão?

Brincar não é uma atividade extracurricular ou que se deva praticar apenas ao fim de semana. Imagine o que seria a sua infância sem brincar. Sabia que o brincar tem uma forte influência no Desenvolvimento Global da Criança?

Brincar promove o otimismo, a curiosidade, estimula a espontaneidade e reforça o sistema imunitário. Além disso, brincar proporciona ao ser humano adquirir competências sociais, uma vez que suscita a integração com os outros e com o meio social, promove e fortalece os relacionamentos , ajuda na construção da personalidade, favorece a criação de um sentido de humor saudável, aceitação de regras e o prazer de construir histórias em grupo. Por outras palavras, brincar permite à criança vivenciar, interagir, recriar situações do quotidiano, imitar, imaginar, exprimir-se, aprender, a descobrir-se a si própria, apreender a realidade, etc.

Se pensarmos neste tema, nós, adultos, percebemos que o brincar consiste, igualmente, numa atividade que devíamos promover mais entre nós. Porquê? Não é suposto sermos sérios e metódicos? Sim, mas as atividades de lazer e descontração são muito importantes e não devem ser negligenciadas. Quando estamos bem dispostos e “brincamos” ativamos o nosso pensamento e memória, somos mais criativos e sensíveis ao contacto com o outro e desenvolvemos mais sentimentos de solidariedade e altruísmo.

Lembre-se: Brincar é investir no seu bem-estar e na sua saúde mental. As crianças que brincam alegremente no seu dia-a-dia serão mais tarde adultos saudáveis e felizes. Promova a brincadeira.

Joana Fialho, Psicóloga Clínica e colaboradora na Sociedade do Bem

Publicado originalmente em Tribuna Alentejo

Imagem: http://www.multigfx.com

COMO SE CONSTRÓI UM CORAÇÃO

Não pode haver maior dom do que o de dar o próprio tempo e energia para ajudar os outros, sem esperar nada em troca.” – Nelson Mandela

Não foi há assim tanto tempo mas parece que foi.

Foi em abril que demos início ao nosso primeiro programa, numa turma de 2.º ano, com crianças entre os 7 e os 8 anos… Todos os focos estavam virados para aquele grupo de crianças e durante semanas planeámos ao detalhe as atividades e festejámos de cada vez que alguma criança dizia uma frase como: “A escola seria só paz e sossego se todos nos soubéssemos colocar no lugar dos outros…” Com elas rimos, com elas chorámos… e com elas aprendemos. Mais do que imaginámos ao princípio.

Quando convidámos o nosso primeiro Heartbuilder não sabíamos que tipo de atividade prática iria ele propor desenvolver. Foi após o primeiro contacto com as crianças que ele me perguntou: “E se estas crianças fizessem uma atividade em que pudessem perceber como é simples tornar a vida de alguém mais especial? Que quando tornamos a vida dos outros um pouco mais feliz, ficamos um pouco mais felizes também?”

Daí até desafiarmos as crianças a criarem um postal para enviarem a quem gostassem de ver um pouco mais feliz foi um passo: a avó que mora sozinha, o tio que está no hospital, a amiga que foi morar para outro país… E foram todos, em segredo – para não estragar a surpresa -, com uma grande missão: descobrir a morada onde o envelope com imagens de esperança e palavras de carinho, seria entregue.

Foi na volta do correio que chegaram as respostas que no último dia de aulas entregámos às crianças, em mão, num envelope fechado. E eram palavras de saudade que lá vinham. E eram fotografias de momentos felizes. E lembranças de tempos passados e desejos para o futuro. E eram olhos pequeninos que brilhavam enquanto todos percebiam, agora na pele, que era verdade: que pequenos gestos podem levar a grandes alegrias, principalmente quando não se espera nada em troca!

Partilho com todos os que seguem, atentos, o nosso projeto e as nossas atividades, algumas palavras e algumas imagens que por si só mostram bem “como se constrói um coração”, terminando com um especial agradecimento ao primeiro Heartbuilder da Sociedade do Bem, o Henrique Sim-Sim, que deu o melhor de si a todas estas crianças.

Olá amor.

Gostei do teu postal.

Tu sabes que eu te amo muito, és o meu príncipe.

Vai esta surpresa.

Sei que vais gostar, a fotografia tua com a prima quando eram pequenos.

Sei que a vais guardar bem.

Beijinhos meu amor.

Até às férias.

Avó Ana.

Susana Pedro, professora e fundadora da Sociedade do Bem

Publicado originalmente em Tribuna Alentejo

Imagem: Sociedade do Bem

 

Manhãs tranquilas! Crianças felizes!

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A poeira assentou! Pensamos nós. Pelo menos devia, uma vez que, as crianças já estão na escola há mais de uma semana mas, a azáfama matinal continua a ser a mesma. Continuamos desesperados por nunca conseguirmos sair de casa à hora que tínhamos previsto.

E aquele ponteiro maléfico dos minutos que teima em acelerar? Eu diria que deve ser dos poucos guerreiros que me recuso a enfrentar pois, é sem dúvida, uma luta que dou como perdida já à partida.

Ainda estamos em casa e já estamos a pensar nas mil e uma coisas que temos para fazer ao longo do dia, o pensamento divaga tanto que conseguimos prever como caótico será o final do dia com os banhos das crianças, a preparação do jantar, enfim… sofrimento por antecipação, chamar-lhe-ei!

O certo é que as manhãs são aquela correria do costume e nós continuamos a chegar ao trabalho completamente esbaforidos, com o cabelo todo desgrenhado, com a blusa suja de papa e, às vezes, para completar o quadro, uma meia de cada par!

Todas as noites pensamos colocar o despertador a tocar 5 minutos mais cedo mas, como são esses mesmos 5 minutos que ficamos a preguiçar na cama, de nada nos serve.

Todas as manhãs enfrentamos a mesma correria e é esta correria que provoca um grande desconforto e ansiedade nas crianças. Estamos sempre a apressá-las, sempre a pedir que se vistam mais depressa, que comam mais depressa, que lavem os dentes mais depressa, que arrumem a mochila mais depressa e podíamos perfeitamente evitar tudo isto, como?

Deixo aqui algumas dicas:

. A mochila deve ser arrumada na noite anterior;

. A roupa das crianças deve ser escolhida na noite anterior;

. A nossa roupa também deve ser escolhida na noite anterior;

. A mesa pode ficar preparada para os pequenos almoços do dia seguinte;

. Devemos levantarmo-nos mais cedo e arranjarmo-nos primeiro para que depois possamos dedicar e prestar toda a atenção que a criança necessita;

. Colocar perto da porta de casa tudo o que queremos levar no dia seguinte para evitar esquecimentos de última hora;

. Arranjar o lanche das crianças na noite anterior;

. Preparar a nossa marmita na noite anterior.

Nada de muito difícil! Totalmente concebível e garantidamente as nossas manhãs tornar-se-ão mais calmas para aqueles que tanto amamos: os nossos filhos.

São eles os principais beneficiários desta nossa pequena mas, importante organização.

Se nos conseguirmos organizar e manter a calma logo pela manhã, os nossos e os dias deles serão, sem dúvida, muito mais tranquilos.

Vanessa Chinelo, Professora e colaboradora na Sociedade do Bem

Publicado originalmente em Tribuna Alentejo

Imagem: http://sleepbetterlivebetter.net