Autoestima: As crianças e os seus super-poderes

“Uma criança com a dose certa de autoestima tem a melhor defesa contra todos os desafios da vida”. – Ariadne Brill

Os super-heróis são pessoas repletas de poderes, de defesas, de fraquezas, de coragem e acreditam piamente em si e na sua missão no mundo. Uma criança é quase igual a um super-herói quando a sua autoestima é adequada à sua idade e aos desafios que ela enfrenta. Reconhece as suas fraquezas e as suas qualidades, coopera com as outras crianças, é humilde, confiante e altruísta.

Uma boa autoestima permite à criança a não temer experiências novas, resolução de problemas, tomadas de decisões e de responder a desafios de forma saudável.

Quando explico às crianças o que é a autoestima costumo comparar este conceito a um autorretrato no qual não sentimos medo de desenhar os nossos defeitos ou as nossas qualidades e funciona como um rascunho, no qual podemos sempre melhorar, retocar ou eliminar imperfeições.

É natural existirem alturas em que o desenho se encontra repleto de vivacidade, brilho, pormenores, assim como existem outros momentos onde o negro e o cinzento imperam. Todos nós já passamos por este sentimento.

Quando penso na autoestima das crianças costumo imaginar que ainda estão a aprender as cores, a conhecer os tracejados de cada cor ou a aprender quais as combinações favoritas de cores e formas. Porquê? Porque este processo de identificação, a construção da personalidade tem os seus pilares aqui, na autoestima e auto-conceito das crianças.

O auto-conceito consiste na imagem que cada pessoa tem de si próprio, sendo que esta visão tem como base a experiência vivenciada e o seu auto-conhecimento. Por outras palavras, o auto-conceito pode funcionar como peças de um puzzle que vamos acrescentando à noção que temos de nós próprios e a autoestima pode ser vista enquanto os desenhos, os pormenores que cada peça tem e por fim, a imagem global que temos de nós próprios resulta da boa ou má consolidação da nossa auto-estima e auto-conceito.

Quando uma criança fala sobre autoestima refere que para a sentirem têm de se sentir amados, pertencerem a uma família e que esta os valoriza. A autoestima também se constrói mediante o encorajamento e o apoio dos pais ou agentes educativos em diversos momentos, especialmente quando a criança sente dificuldade em superar um obstáculo ou alcançar um determinado objetivo. O apoio da família é essencial para a construção de uma criança confiante e com mais autoestima.

Como podemos ajudar as crianças (1-8 anos de idade) a desenvolver estes “super-poderes”?

– Demonstre que gosta do seu/sua filho/a de uma maneira espontânea através dos afetos, palavras e gestos (deve fazê-lo com regularidade).

– Proporcione à criança um sentimento de pertença à família e à comunidade em que se encontra. Ajude-o a conhecer melhor a história da sua família, os seus familiares, estar em contacto com práticas típicas e culturais da sua família.

– Promova atividades ou hobbies do interesse do seu/sua filho/a. Não deve forçar uma atividade quando a criança não demonstra curiosidade ou gosto em praticá-la.

– Evite fazer comparações entre os seu filhos e as outras crianças.

– Permita à criança que o ajude nas diversas atividades que costuma realizar dentro ou fora de casa para que se sinta útil e capaz , como por exemplo: meter a mesa, ajudar a lavar a loiça, estender algumas peças de roupa ou fazer a sua própria cama.

– Perante situações de insucesso ou mau comportamento, procure criticar a ação e não a criança. Desta forma, a criança vai entender que agiu erradamente e compreender como deve agir posteriormente.

– Encoraje a criança a resolver problemas ou desafios. Quando o adulto está a apoiar e a ajudar a criança a resolver um determinado problema está a dar-lhe as ferramentas que precisa para conseguir responder naturalmente aos desafios e problemas que terá mais tarde, promovendo a sua autonomia e confiança.

– Celebre, demonstre interesse e orgulho pelas conquistas que a criança vai alcançando independentemente da sua escala de dificuldade. Devemos recordar os seus momentos de sucesso quando a criança está desmotivada ou com baixa auto-estima com o intuito de renovar e restaurar a sua confiança.

De uma forma sucinta, os adultos devem passar tempo de qualidade com a criança, ouvindo-a, ajudando-a a aprender novas coisas e atingir os seus objetivos. A autoestima deve ser promovida nas crianças e ao longo do seu desenvolvimento com o intuito de tornar as crianças mais fortes, mais resilientes, mais autónomas e confiantes.

Ao estarmos a valorizar este processo previne-se a base da saúde mental de qualquer indivíduo. Recordo e homenageio as palavras do Dr. António Coimbra de Matos nas suas aulas académicas: “Quando nos sentimos amados e reconhecidos pelo que somos desde tenra idade, conseguimos amar e ser amados pelos outros”.

A autoestima pode ser encarada como o melhor dos “super-poderes” de qualquer pessoa, pois permite-nos amar e sermos amados.

Joana Fialho, Psicóloga Clínica e colaboradora na Sociedade do Bem

Publicado originalmente em Tribuna Alentejo

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