PREPARAR UM FILHO PARA A VIDA

Foi no século XIX que surgiu pela primeira vez o conceito de inteligência emocional, numa obra de Charles Darwin – relacionando-o com o desenvolvimento e adaptação da espécie humana ao meio -, mas só na década de 90 do século XX é que o termo se popularizou e passou a ser tema de best-sellers e alvo de debates a vários níveis.

A inteligência emocional e social implica identificar e compreender as próprias emoções e comportamentos, bem como os dos outros, aplicando esse conhecimento em todas as relações. Com base neste pressuposto, Daniel Goleman, escritor, psicólogo, jornalista e consultor americano, fundou em 1995 a CASEL – Collaborative for Academic, Social and Emotional Learning. Esta organização tem como objetivo integrar a aprendizagem emocional e social na educação de todas as crianças, defendendo que esta aprendizagem deve passar pela aquisição e desenvolvimento de cinco competências:

DesenvolvimentoEmocional e Social (2)

1 – AUTOCONSCIÊNCIA / AUTOCONHECIMENTO

Tomamos consciência de nós próprios quando nos conhecemos, quando sabemos identificar o que estamos a sentir e que pensamentos estão ligados a essas emoções, quando sabemos quais os nossos pontos fortes, as nossas limitações e como tudo isso afeta a forma como nos expressamos e comportamos.

As crianças sentem dificuldade em exprimirem o que sentem, ou porque não têm vocabulário, ou porque não se conhecem ainda. Podem saber explicar que estão tristes ou felizes mas normalmente sentem dificuldade em traduzir para palavras emoções como a frustração ou a desilusão. Para as ajudarmos a desenvolver esta competência podemos:

– Desenhar um cartaz com expressões faciais, com vista a aumentar o seu vocabulário e ajudar a reconhecer as emoções nos outros;

Pensar em situações positivas e sorrir para a criança logo pela manhã. É praticamente garantido que ela se deixe contagiar pelo nossa energia e boa-disposição;

– Falar sobre as emoções quando as detetamos na criança, perguntando-lhe o que ela está a sentir e levando-a a falar sobre o assunto, ajuda-a a verbalizar o que sente;

– Ajudar a criança a reconhecer os seus pontos fortes, incentivando-a a dedicar-se aos temas pelos quais demonstra interesse. Se uma criança que gosta de pintar puder explorar as tintas, pintar em telas ou participar em ateliers de pintura, ela estará a fortalecer a sua confiança nela própria e nas suas capacidades.

2 – AUTOCONTROLO

O autocontrolo relaciona-se com a capacidade de controlar os comportamentos que são despoletados por certas emoções, ou seja, com a capacidade de gerir as nossas emoções e formas de estar em diferentes situações. Na prática, consiste em sermos capazes de respirar e de nos acalmarmos quando estamos zangados, em vez de gritar. Quem não possui esta competência, está mais suscetível a sentir stresse, ansiedade, irritabilidade ou tristeza.

As crianças que desenvolvem o autocontrolo, conseguem regular o seu comportamento e definir metas para elas próprias. Para as ajudarmos a desenvolver esta competência podemos:

– Ser um exemplo de autocontrolo, utilizando estratégias para nos mantermos calmos à frente da criança, como respirar fundo ou contar até 10;

– Brincar com a criança, inventando cenários que recriem diferentes situações, que impliquem diferentes pontos de vista;

– Incentivar a criança a descobrir a melhor forma para se acalmar e respeitar o seu espaço;

– Evitar emprestar à criança o telemóvel ou o tablet sempre que ela estiver aborrecida, para que ela própria encontre alternativas para se distrair.

3 – CONSCIÊNCIA SOCIAL

Adquirimos consciência social quando somos capazes de compreender e respeitar a perspetiva dos outros, de sentir empatia por pessoas de diferentes origens e culturas e aplicar este conhecimento nas interações com os outros.

As crianças que desenvolvem consciência social são capazes de identificar que efeitos têm as suas ações nos outros. Devemos analisar as nossas atitudes e refletir se estaremos ou não a ser um exemplo para a criança. Para além de modelar o bom comportamento, podemos:

– Conversar sobre as diferentes perspetivas da história de um livro ou de um filme;

– Partilhar valores como a verdade, o respeito e a generosidade e conversar com a criança acerca de questões sociais como o racismo ou desigualdade de género.

4 – COMPETÊNCIAS RELACIONAIS

Ter competências relacionais consiste em sabermos estabelecer e manter relações positivas com os outros, o que significa comunicar de uma forma eficaz, escutar ativamente, cooperar com os outros na resolução de problemas e resolver eventuais conflitos de forma adequada.

Um bom relacionamento com os outros implica comunicar de forma eficaz e cordial e saber trabalhar em equipa, seja enquanto líder ou membro dessa mesma equipa, o que afeta positivamente a vida das pessoas, quer a nível pessoal quer profissional. Para a ajudarmos a desenvolver esta competência podemos:

– Pedir ajuda em pequenas tarefas e ir agradecendo e pedindo por favor, para que aprenda a importância da boa educação no trabalho com os outros;

– Dedicar tempo para ouvir como foi o dia da criança, o que de mais relevante aconteceu na escola. Se for muito evasiva nas respostas podemos usar alguns desbloqueadores de conversa

– Ajudar a criança a encontrar soluções para os seus próprios problemas em vez de lhe sugerir soluções;

– Falar com a criança sobre as suas amizades: quem são os seus amigos, que qualidades procura ela num amigo e de que forma gosta de ser tratada.

5 – TOMADA DE DECISÕES RESPONSÁVEIS

Tomar decisões responsáveis pressupõe saber reconhecer o efeito que as nossas escolhas têm nas nossas vidas e nas dos que rodeiam.

A criança terá de aprender a medir o impacto das suas decisões em si e nos outros. Estas decisões ajudam a desenvolver o sentido de responsabilidade e enfrentar desafios no futuro. Para a ajudarmos a desenvolver esta competência podemos:

– Mostrar que no nosso dia-a-dia também temos escolhas a fazer e partilhar algumas com as crianças, para que nos ajudem a tomar decisões simples;

– Permitir às crianças fazerem pequenas escolhas, como a roupa que vão usar ou a história que lhes vamos ler, para que sintam que têm autonomia;

– Conversar sobre as consequências: Perguntar, por exemplo, à criança como acha que vai estar no dia seguinte escola se não for para a cama àquela hora, permite à criança perceber os efeitos da sua decisão e a forma como pode ser afetada;

– Mostrar que, mesmo que as decisões sejam más, estaremos sempre do seu lado. Para isso, é necessário que as deixemos aprender com os seus próprios erros.

Ao praticarmos estas competências e ao ensinarmos os nossos filhos através do nosso exemplo, estamos a criar condições desde tenra idade para direcionem o seu potencial para a família, para a escola, para a comunidade em que está inserida. Desenvolver estas competências nas crianças, influencia o seu desenvolvimento emocional e social, promovendo a autoestima, a cooperação e favorecendo a interação social. É assim que preparamos os nossos filhos para a vida.

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Susana Pedro, Professora e fundadora da Sociedade do Bem

Imagem naescola.eduqa.me

Bibliografia:

http://www.casel.org/social-and-emotional-learning/core-competencies/

http://www.webartigos.com/artigos/o-papel-do-educador-no-desenvolvimento-da-inteligencia-emocional-das-criancas-das-series-iniciais-do-ensino-fundamental/30879/

http://www.parentoolkit.com/index.cfm?objectid=4942FBD0-A1C6-11E3-83B90050569A5318

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