A Paz começa por ti

“A não-violência absoluta é a ausência absoluta de danos provocados a todo o ser vivo. A não-violência, na sua forma ativa, é uma boa disposição para tudo o que vive. É o amor na sua perfeição.” – Mahatma Gandhi

bbb.jpg

A 30 de janeiro de 1948, Mahatma Gandhi, conhecido mundialmente pelo seu papel na defesa da não violência, foi assassinado com três tiros no jardim da sua casa, onde se encontrava a rezar com um grupo de pessoas. No dia seguinte, milhões de pessoas quiseram prestar homenagem ao pacifista, integrando o cortejo fúnebre e acompanhando o seu corpo até ao rio Yamuna que, conforme a tradição hindu, foi incinerado numa jangada.

Como forma de assinalar esta data trágica e de passar, através dela, uma consciência de paz interior através da educação, em 1964, Llorenç Vidal criou o Dia Escolar da Não-Violência e da Paz. Segundo o poeta, educador e pacifista espanhol, relacionado com a criação desta efeméride esteve o desejo de criar uma “semente de não violência e paz depositada na mente e no coração subconsciente dos educandos e, através deles, da sociedade”.

Anualmente, esta data inspira milhares de alunos em escolas do mundo inteiro a refletirem sobre a importância da Paz, indo ao encontro do espírito consagrado no Preâmbulo da Constituição da UNESCO, que defende a necessidade de educar para a solidariedade e para o respeito pelos outros: “As guerras nascem na mente dos homens, é na mente dos homens que deve edificar-se a paz”.

Desde o nível pré-escolar que a educação de atitudes e valores desempenha um papel primordial na formação pessoal e social, por se associar à “forma como a criança se relaciona consigo própria, com os outros e com o mundo” (Orientações Curriculares para a Educação Pré-Escolar). Promover uma educação que desperte desde cedo sentimentos de solidariedade e de justiça não é tarefa exclusiva de um único dia, mas é importante que a data sirva de mote para despertar esta consciência nas crianças e jovens, através de atividades que sensibilizem para a não-violência e paz que envolvam toda a comunidade escolar.

“Pode parecer quente, luminosa, forte. Ou calma, fresca e doce. Podemos encontrá-la em lugares movimentados e barulhentos. E pode não haver no lugar mais calmo e mais silencioso do mundo. Paz significa diferentes coisas para diferentes pessoas, em diferentes lugares e em diferentes épocas de suas vidas.

E então… O que é paz? De onde vem ela? Onde encontrá-la? Como mantê-la?

Paz é termos as coisas que precisamos. Comida, água, um sítio para viver, roupas que nos protejam, ajuda quando estamos doentes ou nos magoamos… Paz é termos pequenas coisas… Uma chávena de chocolate quente numa noite de inverno, um passeio por uma praia deserta ou um lugar especial onde possamos ficar a sós com nossos amigos. E coisas grandes….como não sentir medo, como ter oportunidade de estudar e aprender, como saber que somos queridos pelas nossas famílias ou nossos amigos. Paz é poder ter pelo menos algumas das coisas que se deseja. As pessoas desejam e precisam diferentes coisas. Paz é podermos ser diferentes dos outros e deixarmos os outros serem diferentes de nós. Porque as pessoas são diferentes umas das outras. E mesmo quando as pessoas não são muito diferentes, às vezes surgem problemas. Elas podem querer ter a mesma coisa ao mesmo tempo. E talvez então não haja.

O que acontece quando as pessoas não se entendem? Pode haver discussões, palavras irritadas, silêncios – ou até mesmo brigas. Isso pode durar muito tempo ou pouco tempo.

Até  um dos lados ganhar. Até um conseguir o que quer ou precisa e o outro lado desistir. Aí, a paz para.
Mas pode acontecer algo diferente. Um outro tipo de discussão em que as pessoas explicam o que querem. Em que um ouve o que o outro tem a dizer. Em que trabalham juntos para resolver o problema, para que os dois lados possam ter aquilo que querem ou precisam -pelo menos em parte (…)

Há sempre escolhas que podemos fazer. Algumas escolhas podem acabar com a paz, algumas escolhas podem proteger a paz. Todos os dias pessoas fazem escolhas e essas escolhas afetam os outros, mas também a nós próprios. As mesmas escolhas são feitas quando há problemas entre um país e outro. Algumas escolhas levam à guerra. Mas se as pessoas falarem, ouvirem e trabalharem juntas, a paz pode ser protegida. Nem sempre é fácil. É preciso dois para trabalharem juntos. Mas também é preciso dois para lutar.

Trabalhar pela Paz pode ser mais difícil do que usar a força: podes ter de ser mais corajoso e forte e de usar novas maneiras de pensar para fazer as coisas. Mas se pensarmos na nossa família, na nossa escola, no nosso país, no nosso planeta…

Vale a pena.

A Paz começa por ti.”

– Excerto de Texto de Katherine Scholes, in “Tempos de Paz”, São Paulo, Global, 1999.

 

Por Susana Pedro, professora e fundadora da Sociedade do Bem

 

Imagem daqui.

Publicado originalmente em Tribuna Alentejo

 

 

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s