30 atos de Bondade

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Qualquer ato de bondade, por mais pequeno que seja, pode fazer a diferença. Muitas das vezes, foram os gestos mais simples que tiveram para connosco, que acabaram por ditar grandes transformações na nossa vida. Por mudar o nosso olhar. Por moldar a pessoa que somos.

Por outro lado, pensarmos na última vez que tivemos um ato de amabilidade para com os outros, seja para com uma pessoa amiga ou para com uma pessoa estranha, tem também um impacto positivo em nós próprios. Um pouco por todo o mundo vão surgindo alguns projetos que incentivam atos de bondade nas escolas, não só por parte das crianças, como também de toda a comunidade educativa. Estas iniciativas mostram que ensinar as crianças a sentirem-se bem quando colocam um sorriso na cara de alguém, não deve ser uma tarefa exclusiva da família. Também os professores poderão ter, neste aspeto, uma intervenção mais direta e envolver a(s) sua(s) turma(s) ou até mesmo toda a escola e através de estratégias bem simples, que podem ter a duração de um ano, um mês, uma semana ou até um dia.

Os projetos Random Acts of Kindness (com representação em 310 países), Love is the New Currency (Inglaterra) ou Ripple Kindness (Austrália) partilham o objetivo de querer que as pessoas sintam o impacto que os seus gestos de bondade para com os outros podem ter nas suas próprias vidas. A começar nas crianças. “Quando colocamos um sorriso na cara de alguém, colocamos um sorriso no nosso próprio coração e são esses sentimentos positivos que nos ajudam a mudar a forma como pensamos, sentimos e comportamos” (Ripple Kindness).

Uma estratégia simples e que pode ser facilmente implementada, seja em contexto familiar ou escolar, é o Desafio da Bondade. O desafio, lançado por muitos destes projetos, consiste em entregar a cada criança (ou expor num local bem visível) uma lista com sugestões de ações simples, que podem influenciar de forma positiva a vida dos que nos rodeiam. Através deste desafio as crianças, os professores ou os pais, tios, avós… são alertados para a importância de tornarmos a vida dos outros um pouco melhor.

Elaborámos uma pesquisa e selecionámos 30 atos de bondade – dirigido a crianças e adultos – que partilhamos hoje convosco. Que tal começarmos ainda hoje a pôr em prática alguns dos atos que fazemos com menos frequência? E que tal começarmos ainda hoje a espalhar sorrisos por esse mundo?

 

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Por Susana Pedro, Professora e Fundadora da Sociedade do Bem

Imagem de capa daqui.

Publicado originalmente em Tribuna Alentejo.

Perspetivas de futuro

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Todos sabemos que a realidade complexa que nos rodeia torna-se muitas vezes um fardo pesado para os adultos, principalmente para aqueles que têm crianças a seu cargo. Muitas vezes, em prol do trabalho e da melhoria das condições financeiras, deixamos as nossas crianças entregues à escola, ao ATL, aos jogos de telemóvel, consola, internet e televisão, passando para estas o fardo pesado desse mesmo trabalho, da falta de meios económicos, das contas para pagar, da nossa precariedade e da inevitável falta de tempo para estarmos com as nossas crianças.

Cada vez mais notamos a falta de perspetiva dos jovens, tavez por ouvirem os pais/adultos lamentar-se, ou pela conjuntura atual, estes tendem a ficar desacreditados com o futuro, com a falta de oportunidades e cresce a ideia de que “estudar, para quê? Não há emprego…”.

Neste contexto de inércia, pessimismo e descrédito, urge mudar alguma coisa, pois, caso contrário, para além da falta de oportunidades começamos a detetar cada vez mais a falta de valores.

Pensar de outra forma, contrariar os sentimentos negativos e ver os problemas com outros olhos, parece fundamental numa sociedade tão exigente, onde fraquejar não será a solução.

Todos nós conseguimos fazer melhor, todos podemos lutar pelos nossos sonhos, basta apostar nos sentimentos positivos. As nossas crianças e jovens precisam olhar o futuro e somos nós adultos que temos o dever de os ajudar, fazer com que acreditem nas suas capacidades e desenvolvam as suas competências.

Sabemos que as crianças e jovens são os adultos de amanhã, então não esqueçamos de os preparar para serem bons adultos, boas pessoas, com iniciativa, criatividade e capazes de mudar o mundo.

Se motivação é a disposição interna de um organismo para efetuar determinadas ações ou facilitar a sua execução, se esta é a força geradora do comportamento, então arranjemos estratégias para motivar. A escola não pode ser a única responsável por este processo. Aprender música, dança, fazer desporto, ser voluntário, ir ao teatro, conhecer outras realidades, são oportunidades de crescimento e de desenvolvimento de capacidades/talentos que estão à disposição de todos, basta motivar e apoiar. Basta acompanhar e orientar.

Muitas vezes é dos bairros mais problemáticos e desfavorecidos socialmente que vêm os nossos mais talentosos jogadores de futebol, músicos, artistas plásticos…

Nem todos temos que estudar no ensino superior para termos perspectivas de futuro, mas todos temos que lutar por um sonho, por uma oportunidade para fazermos aquilo que gostamos e que pode fazer a diferença entre ficar na inércia e seguir em frente, rumo ao objetivo, ser autónomo, ser bom no que fazemos! E temos tantos exemplos…

Todos temos futuro…

Lucélia Rosado, Formadora e Colaboradora na Sociedade do Bem

Imagem de capa daqui.

Publicado originalmente em Tribuna Alentejo.

Namoro em família!

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Reza a lenda que Valentim era um bispo que lutou contra as ordens de um imperador: Cláudio II. Este imperador havia proibido os casamentos por pensar que era mais fácil criar um exército com homens solteiros, pois estes não teriam família e mais facilmente se alistariam. Mas Valentim continuou a casar alguns jovens casais em segredo até ser descoberto pelo imperador que o mandou prender e condenou à morte.

Enquanto estava preso Valentim recebia muitas visitas e muitos bilhetes de jovens que diziam continuar a acreditar no amor. Foi durante a sua prisão que se apaixonou por uma jovem cega, filha de um carcereiro. Diz-se que milagrosamente a jovem recuperou a visão depois de uma visita a Valentim.

Valentim viria a ser executado no dia 14 de fevereiro mas antes deixou uma mensagem à jovem por quem se havia apaixonado. No final da sua mensagem assinou “do teu Valentim”.

Pensa-se que, será essa a razão pela qual ainda hoje se trocam mensagens neste dia.

É claro que, na minha opinião, não devemos esperar por este dia para demonstrar o nosso amor, mas já que ele existe podemos sempre torná-lo especial. O amor deve ser transmitido todos os dias nem que seja em pequenos gestos. Todos os dias devemos demonstrar àqueles que mais amamos o quanto são importantes nas nossas vidas. É importante que os que partilham connosco o dia a dia saibam o que significa para nós a sua presença.

Podemos aproveitar o dia de S. Valentim, para comemorar o amor familiar e envolver os nossos filhos nesta troca de sentimentos. Como? Ficam aqui algumas dicas:

– Comece por preparar um pequeno almoço especial e explique o por quê aos mais novos;

– Façam uma pesquisa em conjunto sobre a lenda e sobre algumas curiosidades deste dia: quem era Valentim, porque também aparece Cupido como imagem de referência a este dia;

– Poderão também pesquisar a expressão: “amo-te” em várias línguas e tentar prenunciá-las. Vai ser engraçado;

– Combinem uma troca de cartões e puxem pela criatividade e imaginação;

– Deixem pequenos bilhetes espalhados pela casa, com mensagens simples e simpáticas, onde saibam que a pessoa a quem são dirigidos os encontrem;

– Preparem uma refeição especial em conjunto, podem fazer um bolo em forma de coração para a sobremesa;

– Preparem a mesa de refeições, podem decorá-la, podem fazer bases em forma de coração para os copos, ou até mesmo para os pratos, podem colocar palhinhas com corações nos copos, ou colocar uma toalha alusiva ao dia;

– Escrevam juntos um poema ou simples quadras;

– Façam um jogo para ver quem conhece mais casais românticos, como por exemplo: Romeu e Julieta, Shrek e Fiona, Bela e Monstro;

– Podem assistir a um filme de animação juntos com direito a pipocas;

– Como o dia é especial, até podem comer gomas ou bombons em forma de coração;

– Tirem fotografias para mais tarde recordar o quanto divertido foi este dia;

– Descontraiam, divirtam-se simplesmente, brinquem muito e digam “amo-te”, “adoro-te”, “gosto muito de ti” o número de vezes que vos apetecer.

O importante é comemorar este dia e aproveitar para o tornar especial, diferente e divertido. Todos nós precisamos de dias especiais, diferentes e divertidos em família.

Por Vanessa Chinelo, Professora e Colaboradora da Sociedade do Bem

Imagem daqui.

Publicado originalmente em Tribuna Alentejo.

Queres ser meu amigo?

“O que procuramos no mundo é um lugar onde seja possível encontrar amizade e empatia”

– Evan do Carmo

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Desde o momento em que nascemos que estamos rodeados de pessoas, precisamos dos nossos pais para cuidar de nós, dos avós, dos tios, dos melhores amigos dos nossos pais, das educadoras, dos professores, entre outras pessoas responsáveis pela nossa educação.

Por outras palavras, o ser humano, desde o primeiro dia da sua vida, está em constante contacto social. O modo como interagimos com os outros e com o meio que nos circunda irá transformar o nosso desenvolvimento, seja psicológico, emocional ou social. A partir dos 7 anos de idade, a criança descentraliza-se de si e começa a adquirir competências para conseguir dar os seus primeiros passos para a terra da “Amizade”, ou seja, a empatia começa a modificar o modo como a criança encara o seu mundo interno. A criança consegue colocar-se no lugar do outro, entender o que o outro sente em determinadas situações, partilhar emoções, dar opiniões, questionar o outro, etc.

É importante referir que desde o primeiro ano de vida que a criança experiencia vários modos de socialização que ocorrem com as suas primeiras figuras de referência: os pais. É muito importante para a saúde mental da criança a descoberta de novas sensações, pessoas, emoções, lugares e novas experiências.

O bebé vai guardando esses vários episódios emocionais e sociais numa grande biblioteca de emoções e vai adquirindo cada vez mais perceções, ideias e noções do que é estar em contacto com o mundo, como deve reagir a situações específicas, como se comportar, entre outros aspetos importantes nas primeiras noções de socialização.

Mais tarde, quando a criança entra para a creche, infantário ou outro meio que lhe proporcione novas experiências… irá conhecer mais pessoas, sobretudo crianças com idades idênticas e/ou próximas e começará a pesquisar na sua biblioteca de emoções, agora já maior e mais desenvolvida, toda uma panóplia de informação, seja esta cognitiva, emocional e social, que irá servir de modelo ou guia de orientação para as suas primeiras interações com outras crianças.

Quando se priva uma criança de socializar nos seus primeiros anos de vida, para além de empobrecer a sua vida no geral, estamos a proibir-lhe a construção contínua desta biblioteca que vos falo, o que pode ser muito triste e debilitante para o desenvolvimento cognitivo e emocional da criança. A sua maturidade ficará danificada, teremos crianças com menos capacidade de adaptação, com um comportamento mais infantil, instáveis emocionalmente, menos empáticas, mais agressivas, menos altruístas e positivas.

Num mundo cada vez mais digital, com mais informação, um contacto menos personalizado e direto nas redes sociais … deparei-me com as limitações e perigos com que as crianças hoje em dia socializam e têm as suas primeiras noções do que é ser-se amigo.

Estava a conversar com uma menina com cerca de doze anos quando a surpreendi dizendo que queria ser amiga dela, ao que ela responde que não, porque ainda não lhe tinha mandado um convite de amizade no Facebook e que só a partir desse momento poderíamos ser amigas. Tirei uma folha do meu bloco de notas e escrevi a velha forma de fazer amigos: “Queres ser minha amiga? Sim, Não, Não sei”. “Agora responde com uma cruz”, disse eu com um sorriso maroto entre os lábios.

Ela agarrou na folha, riu-se e perguntou: “Para que é que escreveste isto se estávamos aqui as duas? Podes-me perguntar agora.” Depois, meio chocada com o que aconteceu diante dos seus olhos, levou a sua mão à boca e em total surpresa e disse: “AH! Isto não faz sentido, nós estamos frente a frente. Quero ser tua amiga, Joana.”

Fazer amigos e manter amizades representam fatores muito importantes para o desenvolvimento saudável de um ser humano. Estas interações entre crianças querem-se equilibradas, recíprocas e ricas de momentos de felicidade, harmonia e de partilha.

A maioria das crianças conhecem e fazem os seus amigos na escola, no bairro onde habitam ou em grupos em que estão inseridos, como por exemplo nos escuteiros, nas atividades extra-curriculares ou no centro de explicações. As atividades mais típicas entre crianças consistem em brincar, partilhar coisas como cromos, bonecos, berlindes ou jogos e ajudar quando um amigo está mais triste, quando está com dificuldades nos trabalhos de casa ou nas avaliações escolares.

Um amigo é alguém que irá proporcionar mais autoestima, bem-estar, um melhor ajustamento escolar e social, maior estabilidade emocional, desenvolvimento da empatia, maior autoconfiança, mais atitudes positivas em ambiente escolar, entre outros aspetos.

Joana Fialho, Psicóloga Clínica e colaboradora na Sociedade do Bem

Imagem de capa daqui.

Publicado originalmente em Tribuna Alentejo