Mãe! Que mãe és hoje?

recem-mae

Quando fui mãe vivi os dias mais felizes da minha vida! Pensei para mim mesma, como poderia um ser tão pequeno tão dependente, tão perfeito tão lindo produzir aquele sentimento maravilhoso em mim?

Sim, foi maravilhoso o que senti. As dúvidas foram muitas? Se foram! Ainda hoje são. Não sou, de todo, uma mãe perfeita e muitas vezes me questiono se estou a agir de forma correta para com eles. Quero acreditar que sim. Dou o meu melhor? Sim faço por dar o meu melhor todos os dias, mas nem todos os dias são fáceis e nem todos os dias consigo e aí, parece que me transformo noutra mãe: a mãe stressada que corre ao ir buscá-los ao colégio mesmo em cima da hora de fecho; a mãe zangada consigo mesma por estar a chegar tarde a casa; a mãe frustrada que deixou queimar o jantar ou não o consegue ter preparado a horas pois também se dividiu pelos banhos dos pequenos; a mãe refilona que se chateia por haver brinquedos, roupas, sapatos e afins espalhados pela casa toda; a mãe ditadora que debita uma série de novas regras para ver se aquele fim de dia corre melhor; a mãe mandona que manda os filhos sentarem-se à mesa e comerem, vezes sem fim; a mãe cansada que implora para que os filhos se deixem dormir para poder finalmente também descansar; a mãe chorona que chora em silêncio com medo de falhar; e a mãe triste que se deita com o coração apertado por ter agido menos bem com os seus filhos.

Mas no dia seguinte, recuperadas as forças a mãe torna-se na mãe beijoqueira que acorda os seus filhos com beijos mil; na mãe calma e pede desculpa os seus filhos; na mãe astronauta que diz que os ama até à lua; na mãe veloz que os veste, lhes dá o pequeno-almoço, lhes prepara o lanche, e os leva para o colégio sempre bem disposta; na mãe trabalhadora que segue para o seu dia de trabalho, na mãe ansiosa que conta os minutos para voltar a estar com os seus filhos; na mãe organizada que sai do trabalho e planeia o resto do seu dia da melhor forma; na mãe duche que transforma a hora do banho na mais divertida atividade aquática; na mãe cozinheira que prepara um jantar delicioso; na mãe brincalhona que tem sempre tempo para brincar com os seus filhos; na mãe jogadora que consegue aderir a todos os jogos e ainda lhes propõe alguns; na mãe guardiã que evita que os seus filhos se magoem; na mãe forte que consegue transportá-los ao colo para a cama; na mãe leitora que tem sempre uma boa história para lhes ler na hora de deitar; na mãe carinhosa que os aconchega com a roupa de cama e lhes dá um beijinho, muitas vezes, muitos beijinhos, antes de estes dormirem; na mãe feliz que vai para a cama com o coração cheio por ter, acima de tudo, passado tempo com os seus filhos e por os ver sorrir.

Há receita para ser uma mãe perfeita? Eu não tenho nenhuma. Gostava de ter? Acho que não! Errar também nos ensina a tornarmo-nos melhores. Talvez um dia inventem cursos e formações para mães, penso já existirem alguns, mas para já, limito-me a seguir a voz do coração e principalmente a voz deles. O que eles querem e pensam é imensamente importante e quando digo isto não digo que os deixemos fazer tudo o que querem, mas é muito importante que os escutemos e que os deixemos dar a sua opinião sobre as coisas e os deixemos fazer algumas escolhas, afinal de contas os nossos filhos vão crescer. Não vamos conseguir protegê-los de tudo e de todos para sempre, nem seria saudável se assim fosse.

Sou uma mãe perfeita? Longe disso, mas gostava de que os meus filhos crescessem sempre com a certeza de que fiz o melhor para que eles fossem felizes.

Tive uma mãe perfeita? Sim! Perfeita para mim, mesmo de todas as vezes que foi mãe frustrada, ou mãe refilona, ou mãe ditadora. Felizmente conheci mais o seu lado de mãe beijoqueira, de mãe organizada, de mãe cozinheira. Aos olhos dos filhos as suas mães são sempre as melhores mães do mundo. A minha mãe, a melhor mãe do mundo, ensinou-me a ser a mãe que hoje sou.

E só quero poder ouvi-los dizer “MÂE”, com o mesmo entusiasmo que hoje dizem quando chego ao colégio para os ir buscar, que tenham sempre a certeza de que, ao final do dia, eu ali estou de volta e só para eles.

Por Vanessa Roque Chinelo, professora e colaboradora da Sociedade do Bem.

Imagem de capa daqui.

Publicado originalmente em Tribuna Alentejo

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s