“O distanciamento social trouxe uma série de desafios para as crianças”, Susana Pedro

Em tempos “estranhos” como estes, há emoções à flor da pele que necessitam de atenção. É sobre as emoções que preenchem a vida das crianças que falamos com Susana Pedro, certificada em competências emocionais, pós graduada em Neuroeducação e autora do 10 Histórias para ensinar às crianças o que são emoções.  

Reparei que, entre os items do seu currículo e percurso, é mãe de gémeas. Ser mãe de gémeas implica alguns desafios, certo? A que questões relacionadas com as emoções e o bem-estar devemos estar atentos?
Uma das minhas preocupações centrais, ao longo do crescimento das minhas filhas, sempre foi a sua autonomia, que conseguissem fazer e manter amizades com outras crianças, sem depender demasiado da presença uma da outra. Agora já têm 10 anos e têm feitios muito diferentes e grupos de amizade também distintos, apesar de serem muito cúmplices uma da outra… Penso que o mais importante é compreender a individualidade de cada uma, evitando comparações, embora por vezes haja a tendência por parte de alguns familiares e amigos, para as tratar como “as gémeas”… e elas não gostam nada!

Na sequência daquilo que são as suas maiores preocupações e inspirações – desenvolvimento das crianças em idade escolar -, a que emoções devem estar os pais mais atentos, neste contexto de COVID-19?
Dos estudos que vão surgindo em relação a esta temática, apercebemo-nos que, para além do medo da Covid-19, o próprio distanciamento social trouxe uma série de desafios para as crianças e para as suas famílias, como uma maior irritabilidade, agitação, ansiedade e preocupação. Essas emoções são naturais e esta fase em que vivemos é uma oportunidade para que os pais estimulem as crianças a refletirem sobre o que estão a sentir. Traduzir as emoções por palavras facilita este processo de compreensão do que se sente e como se pode lidar com o que se sente.

Fale-nos da Sociedade do Bem e como podem as escolas ou outros centros aderir a estes programas? 
A Sociedade do Bem é uma associação sem fins lucrativos, que se dedica à criação e implementação de projetos de educação emocional nas escolas. Para além de oficinas de educação emocional, procuramos promover a empatia, o altruísmo e a positividade nas crianças, através da integração de “Heartbuilders”, pessoas voluntárias que podem inspirar as crianças através do seu próprio exemplo de vida. Assim, apelamos a uma participação cívica ativa por parte das crianças em áreas como a inclusão, o ambiente, a igualdade de género… Para aderir, podem entrar em contacto com a nossa equipa através do site http://www.sociedadedobem.org.

Qual é aquele que considera ser o maior desafio no desenvolvimento de competências emocionais, nas crianças?
Da experiência que tenho, sem dúvida que manter a calma em situações de grande irritabilidade, stresse ou frustração, é o maior desafio. Nas nossas sessões partilhamos com as crianças algumas estratégias, que requerem treino para funcionarem, mas é um trabalho que se for feito em colaboração com as famílias, apresenta bons resultados na gestão das emoções das crianças e dos próprios pais também!

Ensinar às crianças o que são emoções implica saber, antes de mais, o que são e como lidar com elas? Mas nem sempre isso acontece, pois não?
Gerir as emoções é aceitar e saber lidar com as suas próprias emoções, mas também com as dos outros, o que nem sempre é fácil, nem para os adultos, sobretudo se as situações que desencadeiam certas emoções mais desagradáveis são muito intensas e inesperadas. Mas quem aprende a identificar o que sente ou o que origina determinada emoção, torna-se mais consciente do nexo de causalidade entre emoções e comportamento e, logo, compreende-se melhor a si próprio e compreende melhor as atitudes dos outros… E é esta capacidade de identificar as emoções que está na base da empatia, tão essencial nos dias de hoje.

Neste livro, dá dicas aos pais – uma dica/truque/jogo que daria aos pais para ensinar as crianças a lidar com o medo (do desconhecido/Covid)?
O ideal é manter sempre disponibilidade para conversar com as crianças sobre os seus medos. Na internet encontram-se alguns jogos interessantes, que podem ser bons pontos de partida para conversar com as crianças. Um deles é o https://www.stopcontagio.pt.

Entrevista em julia.pt

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