Educar para respeitar

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Respeito provém do latim respecto, que pode significar olhar para trás muitas vezes, olhar outra vez e prestar atenção. Respeitar algo ou alguém é prestar atenção e manifestar apreço.

O não olharmos com a devida atenção para aquilo que nos rodeia, pode limitar a nossa forma de ver e, consequentemente, levar-nos a não respeitar. O respeito pelo próximo, pela natureza, por nós próprios e pelos sentimentos e valores que nos envolvem, pode determinar os sentimentos positivos e/ou negativos pelos quais pautamos a nossa vida e relação com os outros e a natureza.

Desde crianças que ouvimos “tens que respeitar os mais velhos” ou “respeitinho é muito bonito e eu gosto”, mas para além das palavras temos todos de passar à prática. Apesar de ser do senso comum que o respeito é um sentimento que todos devemos ter presente, na realidade continuamos a assistir a crianças, jovens e adultos que não respeitam o próximo. Todos os dias há pessoas a serem desrespeitadas em casa, na escola, na rua e no trabalho.

Estabelecer ideias pré-concebidas baseadas em crenças e preconceitos sociais é uma realidade comum na nossa sociedade. Discriminamos em função da idade, orientação sexual, situação económica, deficiência, nacionalidade, origem étnica ou raça, religião, convicções políticas e ideológicas. Somos nós adultos que continuamos a dar o mau exemplo.

Educar para respeitar implica prestar atenção aos sentimentos dos outros, aos seus valores e opiniões; prestar atenção à natureza, aos animais, à sua beleza e função; prestar atenção a nós próprios, àquilo que realmente nos faz bem.

As nosssas crianças têm o direito de ser educadas com base no respeito, por aquilo que são, pelo que pensam e desejam. Respeito por si próprias e pelos outros, é o caminho para eliminiar sentimentos negativos, como é o caso do preconceito e de todas as formas de desrespeito.

Quando olhamos, devemos ver, prestar atenção, olhar outra vez, compreender e respeitar.

Lucélia Rosado, Formadora e Colaboradora da Sociedade do Bem

Publicado originalmente em Tribuna Alentejo

Imagem de capa daqui.

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FAMÍLIAS REAIS À BEIRA DE UM ATAQUE DE NERVOS

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Hoje venho contar-vos uma história… Era uma vez um menino que tinha 9 anos, vivia num castelo muito bonito e todos os dias os pais o enchiam de mimos, conforto, um bom colo e iluminavam a sua vida com uma atenção especial. Os Reis não queriam magoar o seu príncipe e a palavra “Não” tinha-se tornado quase numa palavra proibida no Reino. A criança começou a desafiar os seus poderes e os seus estatutos de Rei e Rainha do Castelo.

O Príncipe detestava o som da palavra “Não”, fazia birras, batia o pé e nunca obedecia às ordens de Suas Majestades. Os Reis começaram a sentir-se frustrados, sem forças e tristes face aos comportamentos da criança. Como não sabiam o que fazer contrataram uma tutora chamada Permissividade.

A tutora Permissividade tornou-se, rapidamente, na pessoa favorita do príncipe, porque deixava que a criança fizesse tudo o que queria, sem refilar e sem dizer a “palavra proibida”. Era a felicidade instalada no Castelo para o jovem sucessor do Reino. Contudo, a criança sentia que isto não era suficiente para responder aos seus caprichos.

Os Reis alarmados com o frenesim que se instalara no Castelo quiseram contratar mais uma tutora, mas desta vez alguém que conseguisse impor regras, disciplina e responder de forma firme perante os desafios constantes da criança. A tutora chegou ao castelo e até os Reis recearam pela sua forma de ser e estar, era mandona, gritava muito, a palavra proibida tornou-se rapidamente na palavra obrigatória e a criança que até então era feliz, começou a esconder-se, a ficar frustrado e chorava.

O príncipe estava verdadeiramente cansado e triste da presença constante das suas tutoras antagónicas, procurou os seus pais e disse-lhes: “Mãe, pai… Não aguento mais… Já não consigo entender as tutoras… Uma não me diz o que devo fazer ou quando me devo portar bem, outra está sempre a gritar-me ordens… desisto!”

Os Reis preocupados com a criança falaram com o seu conselheiro, o qual lhes disse: “Majestades, vós precisardes falar com a psicóloga do Reino. Não existem mais tutoras que vos consigam ajudar”.

Aflitos, os Reis explicaram que a criança apresentava uma teimosia que nunca acabava, não obedecia às ordens, raramente assumia os seus compromissos, culpava os outros pelos seus erros, incomodava deliberadamente os outros, facilmente ficava zangada ou ressentida, tinha dificuldade em fazer amigos e que isto acontecia há mais de 6 meses.

Os Reis diziam que gostavam muito do pequeno príncipe mas já não sabiam o que deviam fazer perante esta situação e sentiam que este problema afetava também a autoestima da criança.

A psicóloga pediu para ficar a sós com a criança na sua consulta e depois chamou os pais sozinhos para o seu gabinete e disse-lhes que o príncipe apresentava comportamentos típicos de uma Perturbação de Oposição e Desafio. Incrédulos, os Reis perguntaram: “O que é isso?”

“Esta perturbação é caraterizada por um padrão recorrente de um comportamento negativista, hostil e desafiante, que interfere, de uma maneira significativa, com o desempenho familiar, escolar ou social das crianças e adolescentes. A prevalência de casos como este pode chegar até a 16 % na comunidade escolar”.

“E o que podemos fazer para ele melhorar?”- Perguntaram os Reis assustados.

A psicóloga deu-lhes um livro com algumas estratégias, as quais passo a citar:

– As ordens devem ser dadas de forma clara (uma ordem de cada vez) mas firme, no momento imediato em que a criança faz algo de errado;

– Os pais não devem desautorizar-se um ao outro (a desarmonia familiar é sentida pela criança e pode ser utilizada para manipular os pais);

– Manter um ambiente familiar estável e adequado;

– Os pais devem ser firmes nos consequências e justos nas recompensas;

– Evite gritar e ameaçar, pois o clima de hostilidade já está montado, lembre-se que a criança tende a imitar o comportamento dos adultos.

– Utilize o sistema de Custo-Resposta, o qual consiste em retirar privilégios como forma de punição e de recompensa como reforço positivo. Faça um quadro de comportamento com os dias da semana e em cada dia a criança fica responsável de desenhar um smile . Quando se porta bem e não fez birras, coloca um boneco a sorrir (desenhar com a cor Verde) e quando ocorre o oposto, um boneco triste (Vermelho).

Se no final da semana, os bonecos verdes estiverem em maioria, recompense a criança com algo que possa fazer ao fim-de-semana. Por exemplo, comer um gelado, ir ao cinema, dar um passeio (evite bens materiais). Se os bonecos vermelhos tomarem conta do quadro, é hora de punir, retire-lhe durante 3 dias (por exemplo) algo que a criança goste. Como por exemplo, tempo de televisão, jogos de consola, mesada, sair com os amigos, etc.

Os Reis seguiram com muito esforço e firmeza os conselhos da psicóloga e após 3 semanas o comportamento da criança mudou. O príncipe sentia-se mais feliz, já conseguia prever o que acontecia se ele se portasse mal ou bem, aprendeu que a palavra “Não” era necessária e que mostrava o carinho dos seus pais.

Moral da História: Os pais amam os seus filhos (príncipes ou princesas) de forma imensurável, mas a palavra “Não” deve ser vista como uma ferramenta que serve para as educar, as regras são os pilares para as crianças conseguirem adaptar-se, mais facilmente, aos comportamentos adequados do quotidiano e da nossa sociedade e a disciplina pode ser um diário de bordo, onde todos os dias devemos escrever novas linhas com o intuito de fazermos das nossas crianças, os adultos de amanhã.

Por Joana Fialho, Psicóloga Clínica e Colaboradora da Sociedade do Bem.

Publicado originalmente em Tribuna Alentejo

Imagem de capa daqui.

Mãe! Que mãe és hoje?

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Quando fui mãe vivi os dias mais felizes da minha vida! Pensei para mim mesma, como poderia um ser tão pequeno tão dependente, tão perfeito tão lindo produzir aquele sentimento maravilhoso em mim?

Sim, foi maravilhoso o que senti. As dúvidas foram muitas? Se foram! Ainda hoje são. Não sou, de todo, uma mãe perfeita e muitas vezes me questiono se estou a agir de forma correta para com eles. Quero acreditar que sim. Dou o meu melhor? Sim faço por dar o meu melhor todos os dias, mas nem todos os dias são fáceis e nem todos os dias consigo e aí, parece que me transformo noutra mãe: a mãe stressada que corre ao ir buscá-los ao colégio mesmo em cima da hora de fecho; a mãe zangada consigo mesma por estar a chegar tarde a casa; a mãe frustrada que deixou queimar o jantar ou não o consegue ter preparado a horas pois também se dividiu pelos banhos dos pequenos; a mãe refilona que se chateia por haver brinquedos, roupas, sapatos e afins espalhados pela casa toda; a mãe ditadora que debita uma série de novas regras para ver se aquele fim de dia corre melhor; a mãe mandona que manda os filhos sentarem-se à mesa e comerem, vezes sem fim; a mãe cansada que implora para que os filhos se deixem dormir para poder finalmente também descansar; a mãe chorona que chora em silêncio com medo de falhar; e a mãe triste que se deita com o coração apertado por ter agido menos bem com os seus filhos.

Mas no dia seguinte, recuperadas as forças a mãe torna-se na mãe beijoqueira que acorda os seus filhos com beijos mil; na mãe calma e pede desculpa os seus filhos; na mãe astronauta que diz que os ama até à lua; na mãe veloz que os veste, lhes dá o pequeno-almoço, lhes prepara o lanche, e os leva para o colégio sempre bem disposta; na mãe trabalhadora que segue para o seu dia de trabalho, na mãe ansiosa que conta os minutos para voltar a estar com os seus filhos; na mãe organizada que sai do trabalho e planeia o resto do seu dia da melhor forma; na mãe duche que transforma a hora do banho na mais divertida atividade aquática; na mãe cozinheira que prepara um jantar delicioso; na mãe brincalhona que tem sempre tempo para brincar com os seus filhos; na mãe jogadora que consegue aderir a todos os jogos e ainda lhes propõe alguns; na mãe guardiã que evita que os seus filhos se magoem; na mãe forte que consegue transportá-los ao colo para a cama; na mãe leitora que tem sempre uma boa história para lhes ler na hora de deitar; na mãe carinhosa que os aconchega com a roupa de cama e lhes dá um beijinho, muitas vezes, muitos beijinhos, antes de estes dormirem; na mãe feliz que vai para a cama com o coração cheio por ter, acima de tudo, passado tempo com os seus filhos e por os ver sorrir.

Há receita para ser uma mãe perfeita? Eu não tenho nenhuma. Gostava de ter? Acho que não! Errar também nos ensina a tornarmo-nos melhores. Talvez um dia inventem cursos e formações para mães, penso já existirem alguns, mas para já, limito-me a seguir a voz do coração e principalmente a voz deles. O que eles querem e pensam é imensamente importante e quando digo isto não digo que os deixemos fazer tudo o que querem, mas é muito importante que os escutemos e que os deixemos dar a sua opinião sobre as coisas e os deixemos fazer algumas escolhas, afinal de contas os nossos filhos vão crescer. Não vamos conseguir protegê-los de tudo e de todos para sempre, nem seria saudável se assim fosse.

Sou uma mãe perfeita? Longe disso, mas gostava de que os meus filhos crescessem sempre com a certeza de que fiz o melhor para que eles fossem felizes.

Tive uma mãe perfeita? Sim! Perfeita para mim, mesmo de todas as vezes que foi mãe frustrada, ou mãe refilona, ou mãe ditadora. Felizmente conheci mais o seu lado de mãe beijoqueira, de mãe organizada, de mãe cozinheira. Aos olhos dos filhos as suas mães são sempre as melhores mães do mundo. A minha mãe, a melhor mãe do mundo, ensinou-me a ser a mãe que hoje sou.

E só quero poder ouvi-los dizer “MÂE”, com o mesmo entusiasmo que hoje dizem quando chego ao colégio para os ir buscar, que tenham sempre a certeza de que, ao final do dia, eu ali estou de volta e só para eles.

Por Vanessa Roque Chinelo, professora e colaboradora da Sociedade do Bem.

Imagem de capa daqui.

Publicado originalmente em Tribuna Alentejo

Ninguém nasce mau

 

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“Ninguém nasce mau” – Alice Miller

Alice Miller, psicóloga polaca e autora de livros traduzidos para várias línguas, foi pioneira na defesa da ideia que as crianças que são vítimas de castigos corporais pelos pais, tornam-se adultos agressivos “A criança esbofeteada numa geração, será a abusadora da próxima”. Para a autora, os piores ditadores do século XX, como Hitler ou Estaline, eram frequentemente maltratados na infância e aceitavam-no com naturalidade, negando sentir qualquer dor.

A sua controversa tese, contestada por muitos pais, viu pela primeira vez a luz do dia em 1979, com a publicação do livro “O Drama de ser uma criança”, que veio lançar o debate se a violência sobre as crianças gera ou não uma sociedade violenta. Começava assim a luta de Alice Miller de mudar a forma como tratamos as crianças.

O que é certo é que quase todos os pais que batem, mesmo que ocasionalmente nos seus filhos, consideram que não os maltratams: aplicar castigos físicos ou corporais é sinónimo de disciplinar e dar uma palmada ou uma bofetada não representa um mau trato, nem físico nem emocional – defendem. Esta foi a mensagem que receberam dos seus pais, e estes dos seus pais, ao longo de sucessivas gerações. E se não lhes fez mal a eles, também não fará aos seus filhos. Estes, por seu lado, consideram que se as pessoas que mais gostam deles lhes batem, deve ser para o seu bem. Afinal, muitas destas palmadas, estaladas ou empurrões foram merecidas porque eles “estavam a ser maus”.

Mas a verdade é que a violência sobre as crianças gera adultos violentos no futuro. Quando um pai bate no filho está a dizer-lhe que não vale a pena dialogar ou que, no limite, bater é correto e aceitável… Está a ensinar-lhe que quando ele não gostar que uma atitude que tenham para com ele, bater pode ser a resposta… Está a transmitir-lhe que vivemos numa sociedade em que os mais fortes têm o direito de agredir os mais fracos.

No seu livro “For your own good” (1985), Alice Miller publicou uma lista de 12 pontos¹ acerca de como deve ser uma verdadeira mudança na forma como a sociedade vê as suas crianças:

1. Todas as crianças nascem apara crescer, para se desenvolver, para viver, para amar e para articular as suas necessidades e sentimentos para sua auto proteção.

2. Para o seu desenvolvimento, as crianças precisam do respeito e proteção dos adultos que os amam e ajudam honestamente a orientá-las no mundo.

3. Quando essas necessidades vitais são frustradas e em vez disso as crianças são maltratadas, em nome das necessidades dos adultos, exploradas, espancadas, punidas, manipuladas, negligenciadas ou enganadas, sem a intervenção de qualquer testemunha, a sua integridade vai ser prejudicada.

4. As reações normais devem ser raiva e dor. Uma vez que as crianças neste tipo de ambiente são proibidas de expressar sua raiva e uma vez que seria insuportável aguentarem a dor sozinhas, as crianças são levadas a suprimir as suas emoções, a reprimir a memória do trauma e a idealizar os culpados desses abusos. Mais tarde elas não irão recordar-se o que lhes foi feito.

5. Dissociada da causa original, os seus sentimentos de raiva, impotência, desespero, solidão, ansiedade e dor vão encontrar expressão em atos destrutivos contra os outros ou contra si próprias.

6. Quando essas crianças se tornarem pais, elas irão direcionar os seus atos de vingança para com os maus tratos que receberam na infância, contra os seus próprios filhos, que eles usarão como bodes expiatórios. Os pais batem nos seus filhos com o propósito de escapar às emoções decorrentes da forma como foram tratados pelos próprios pais.

7. É essencial que, pelo menos uma vez na vida das crianças que foram maltratadas, entrem em contato com uma pessoa que sabe sem sombra de dúvida que o ambiente em que a crianças cresceu é que esteve em falta e não ela. A este respeito, o conhecimento ou a ignorância por parte da sociedade pode ser fundamental, quer a salvar quer em destruir uma vida. Aqui reside a grande oportunidade para os familiares, assistentes sociais, terapeutas, professores, médicos, psiquiatras, funcionários, enfermeiros e outras pessoas estarem presentes para apoiar a criança e acreditar nela.

8. Até agora, a sociedade protegeu o adulto e culpou a vítima. O adulto foi auxiliado por teorias, ainda em harmonia com os princípios pedagógicos do tempo dos nossos bisavós, segundo as quais as crianças são vistas como criaturas astutas, dominadas pelo Mal, que inventam histórias e atacam os seus pais inocentes. Na realidade, as crianças tendem a culpar-se da crueldade dos seus pais (que amam incondicionalmente) e a absolvê-los de toda a responsabilidade.

9. De há alguns anos para cá, tem sido possível provar, graças à utilização de novos métodos terapêuticos, que experiências traumáticas na infância reprimidas são armazenadas no corpo e, embora permaneçam inconscientes, exercem a sua influência mesmo na idade adulta. Além disso, testes eletrónicos do feto revelaram um fato até então desconhecido para a maioria dos adultos: uma criança responde a e aprende tanto ternura como crueldade desde o primeiro instante.

10. À luz deste novo conhecimento, mesmo o comportamento mais absurdo revela sua lógica, anteriormente escondida, uma vez que as experiências traumáticas da infância são reveladas.

11. A nossa sensibilização para a crueldade com que são tratadas as crianças, até agora comummente negada, bem como as consequências de tal tratamento, irão pôr um fim na perpetuação da violência de geração para geração.

12. As pessoas cuja integridade não foi atacada na infância, que foram protegidas, respeitadas e tratadas com honestidade pelos seus pais, serão – tanto na sua juventude como na idade adulta – inteligentes, sensíveis, empáticas e altamente sensíveis. Elas irão ter prazer na vida e não vão sentir qualquer necessidade de matar ou mesmo magoar os outros ou a si próprios. Elas vão usar o seu poder para se defenderem, mas não para atacar outros. Elas não serão capazes de fazer outra coisa senão respeitar e proteger os mais fracos, incluindo os seus filhos, porque é isso que eles aprenderam a partir de sua própria experiência e porque é este conhecimento (e não a experiência de crueldade) que tem sido armazenado no seu interior desde o início.

Tais pessoas serão incapazes de compreender por que as gerações anteriores tiveram de construir uma indústria de guerra gigantesca, a fim de se sentirem à vontade e seguras neste mundo. Uma vez que não tiveram de lidar com intimidação numa idade muito precoce, elas serão capazes de lidar com tentativas de intimidação na vida adulta de uma forma mais racional e mais criativa.

Por Susana Pedro, Professora e Fundadora da Sociedade do Bem

Bibliografia:

http://www.naturalchild.org/alice_miller/society_protected.html

http://www.nospank.net/pt2007.htm

1. Tradução livre de http://www.naturalchild.org/alice_miller/tenderness.html

Imagem de capa daqui.

Publicado originalmente em Tribuna Alentejo

 

Autenticidade, o caminho para a felicidade

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Parece que o ser humano é uma obra inacabada. Somos o resultado da nossa genética, do meio em que estamos inseridos, da educação, das experiências vividas, da influência das pessoas que nos rodeiam, entre tantos outros fatores.

Desde pequenos que a combinação das nossas características fazem de nós seres únicos. Mas, por outro lado, os outros parecem exigir que nos comportemos de forma igual aos demais. Há uma certa tendência para a normalização dos comportamentos e generalização destes. A escola, a família, os amigos e todos os outros, esperam, muitas vezes, que tenhamos opiniões e formas de estar e de agir iguais àquilo que dizem estar dentro do padrão de normalidade.

Agradar aos outros, procurar aceitação e recear a sua reação, são realidades às quais todos nós assistimos diariamente. Ser diferente, pensar por si próprio, ter opiniões e vontades distintas, parece desapropriado para alguns adultos em determinados contextos. É tão mais fácil imitar e agradar do que criar, ser livre!

Esta pressão social começa logo na infância, daí muitas crianças terem dificuldade em pensar e dar a sua opinião.

Para termos adultos genuínos e autênticos, capazes de defender as suas ideias e criar coisas novas, devemos motivar as crianças a serem elas próprias, a dar a sua opinião sem receio daquilo que os outram possam pensar, argumentar. Todas as opiniões e comportamentos são válidos, desde que baseados no respeito pelo próximo.

Os pais, educadores, professores, devem olhar para cada criança de uma forma única. Todos temos potencial. Através do diálogo, do exemplo, jogos didáticos e dinâmicas variadas, devemos ajudar as crianças a serem autênticas. Uma criança segura daquilo que é e das ideias que defende, tornar-se-á um jovem capaz de fazer face às influências menos positivas e um adulto verdadeiro e feliz.

Como poderemos pedir às nossas crianças ideias para mudar o mundo se condicionamos a diversidade de opiniões?

Lucélia Rosado, Formadora e Colaboradora da Sociedade do Bem.

Imagem de capa daqui.                                              

Publicado originalmente em Tribuna Alentejo

Quando for grande vou ser…

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“Mãe! Quero ser astronauta!” – Disse-me o meu filho mais velho um dia destes.

Astronauta? Questionei!

“Sim, acho que deve ser giro andar no espaço com aqueles fatos especiais e com aqueles capacetes enormes. Deve ser giro poder viajar numa nave, ou num foguetão, ver a terra lá de cima, conhecer outros planetas, descobrir coisas que aqui ainda ninguém sabe”. – Respondeu-me.

Percebi e partilhei do seu entusiasmo. Sim, aos olhos de uma criança, e não só, ser astronauta deve ser fantástico. Não me fascina tanto o fato ou o capacete enorme, até acho que deve ser um pouco incómodo, mas a imagem da terra vista do espaço, deve ser realmente fenomenal. Nunca pensei muito nesta profissão, quando era pequena ambicionava outras, mais femininas, claro está, como por exemplo: cantora, bailarina, cabeleireira…

O meu filho nunca antes tinha comentado comigo nada do género, para ser sincera eu também nunca lhe tinha perguntado.

Já tinha dado por mim, algumas vezes, a pensar no que se tornariam profissionalmente os meus filhos quando crescessem. Acho que já todas as mães pensaram. É inevitável!

Dei por mim a imaginar que ele seria chefe de cozinha, pois adora ajudar-me na preparação das refeições.

Dei por mim a imaginar que ele seria dentista, pelo à vontade e gosto que mostra nas vezes que vai ao consultório.

Imaginei-o como bombeiro pela a admiração que olha sempre que nos cruzamos com algum.

Talvez polícia. Porque sim, porque muitos miúdos querem ser polícias.

Veterinário, também encaixa na perfeição pois adora e sabe o nome de todos os animais.

Cientista ou investigador, pela curiosidade que tem por tudo. Pelos seus porquês!

Mas a que tem a minha preferência é pediatra. Sim imaginei-o pediatra, não por alguma razão em especial, mas pelo menos, eu não sofria tanto pelos meus netos estarem doentes como sofro com os meus filhos.

Para ser sincera não me importo muito com a profissão que o meu filho mais velho terá. Para mim o importante é que ele goste do que faça.

Que ele tenha a possibilidade de escolha. A possibilidade que os meus pais também me deram a mim. E escolha com a certeza de que aquilo sim, o realiza, pois mais importante do que o salário mensal, mais importante que o estatuto que lhe dará uma profissão, é que sinta que é feliz, que sinta vontade de se levantar todas as manhãs para ir trabalhar e que chegue a casa no final do dia sempre com um sorriso estampado no rosto.

Acho que não nos devemos importar muito com a futura profissão dos nossos filhos, pelo menos quando ainda são pequenos, acho que o importante é conseguirmos transmitir-lhes que independentemente das suas escolhas terão sempre o apoio incondicional dos pais.

Eu aqui estarei, na devida altura, na profissão de mãe, de amiga, de conselheira, sempre pronta a apoiar as suas decisões.

Vanessa Chinelo, Professora e Colaboradora da Sociedade do Bem

Imagem daqui.

Crónica publicada originalmente em Tribuna Alentejo.

 

AS CRIANÇAS E OS POZINHOS DE PERLIMPIMPIM

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A Criatividade é algo que torna o ser humano num ser único e brilhante. É através desta capacidade que o homem está constantemente a construir, a criar, a aprender e ensinar.

As crianças são fontes reluzentes de criatividade, inovação, inspiração e pura frescura mental. Não há nada melhor do que ver as crianças em processos de criação artística. Reparem que mais dificilmente têm ideias preconcebidas, taras e manias que lhes possam limitar a sua criatividade selvagem. O contacto das crianças com as artes torna-os mais curiosos e atentos a novos estímulos.

O foco da sua criação artística pode ser muito vasto quando falamos na arte de desenhar, cantar, representar, tocar um instrumento, dançar, pintar, escrever, inventar ou outro modo de espalhar novos tons de magia através destas e de outras expressões.

As crianças são como mágicos ou fadas e as artes são os “pozinhos de perlimpimpim” da vida, estimule a criatividade nas crianças e deixe-os viajar no mundo da imaginação.

Devemos incentivar as crianças a estar em contacto com o seu mundo imaginário, de fantasia e de criatividade. A arte é considerada um modo de expressão de sentimentos, desejos, sonhos, emoções, cultura, representações da realidade ou da imaginação.

Através da expressão artística, a criança consegue desenvolver (com maior facilidade) novas capacidades e aptidões, nomeadamente na exteriorização do que sente e pensa, na tomada de decisões, na resolução de problemas e influenciando positivamente a aprendizagem.

É de salientar que os pais que levam uma criança a ver uma exposição de fotografia ou uma peça de teatro, por exemplo, estão a promover uma maior diversidade e qualidade intelectual e cultural à criança. Por outras palavras, os pais que colocam a criança num ambiente artístico ou lhe colocam desafios intelectuais tais como se questionar face a uma pintura, escultura, música ou outro meio artístico que prefira, estão a cultivar novas capacidades importantes como adquirir um espírito crítico, mentalidade aberta, capacidade de colocar questões, de fantasiar, etc.

O desenvolvimento expressivo da criança constrói-se através de um jogo simbólico onde a criança transforma perceções reais como por exemplo aquilo que vê (sensoriais), o que sente (emocionais) ou o que pensa (cognições) em representações simbólicas utilizando para esse efeito o desenho, a representação (teatro), dançar, cantar ou outra expressão artística.

Cada criança possui uma maior aptidão face a uma ou mais atividades lúdicas e sabemos que não devemos forçá-las a participar numa atividade que não sintam prazer, mas podemos incentivar a sua descoberta ou desafia-las a experimentar. Nem todos nós gostamos de desenhar ou representar, mas podemos gostar de cantar ou tocar um instrumento musical, tal e qual como as crianças e devemos respeitar essa mesma decisão.

Sabia que cada atividade de expressão artística pode promover o desenvolvimento de várias capacidades nos seus filhos? Passo a exemplificar como algumas dessas atividades lúdicas podem ser uma surpresa na aquisição de novas e preciosas competências, como por exemplo, a música, o teatro e o desenho.

Começo por vos falar de uma forma mais detalhada do desenho, pois consiste na forma de arte mais utilizada pelas crianças em idade pré-escolar e seguidamente aperfeiçoada continuamente após esta etapa de desenvolvimento.

Desenho

É a partir dos 2 anos de idade, sensivelmente, que a criança começa a conseguir agarrar pequenos objetos como um lápis, por exemplo e desenhar pequenos rabiscos. Algumas vezes estes rabiscos acontecem nas folhas de papel, mas rapidamente podem pertencer a locais indesejados como em paredes ou sofás, pois a imaginação é ilimitada como sabemos (para o azar dos pais, por vezes).

Ao longo do desenvolvimento da criança, é normal que os desenhos se tornem mais elaborados, com mais elementos e mais complexos. É de referir que esses desenhos para além de adquirirem outras formas, cores e traços começam a ter significados muito próprios, pois constituem representações mentais como falamos atrás do mundo imaginário ou mesmo emocional da criança. Pode-se dizer que os desenhos infantis funcionam como pequenas janelas para o mundo interno das crianças. O desenho permite à criança desenvolver a sua imaginação, autoconhecimento, perceção e inteligência.

Música

Tocar um instrumento musical consiste numa atividade artística muito poderosa, pois possibilita à criança adquirir uma maior sensibilidade na perceção sonora e espacial, promove a concentração, memória, coordenação motora, disciplina e socialização.

Além disso, a música pode ser um forte aliado para melhorar o desempenho nas disciplinas escolares, como é o caso da matemática, leitura e capacidades linguísticas nas crianças.

Teatro

A expressão dramática permite à criança alargar a sua compreensão do mundo, desenvolver a flexibilidade do pensamento, facilita a empatia mediante a vivência de uma personagem, a qual possibilita a compreensão do outro e oferece novas experiências às crianças. O ambiente que se vive nos grupos escolares de teatro é propício a promover a positividade, a cooperação, autoestima, participação, autodisciplina, a socialização e leitura.

Além disso, representar proporciona à criança um maior treino ao nível da linguagem através de várias técnicas auxiliadoras da representação, como é o caso do treino da dicção, comunicação em público, projeção de voz, entre outras técnicas que mais tarde podem ser potencializadoras na assertividade, na comunicação, etc.

Em suma, as crianças guardam em si uma enorme criatividade e imaginação que deve ser estimulada, pois promove o questionamento, encorajam a autonomia, oferece novas experiências e permite-lhes sonhar.

Joana Fialho, Psicóloga Clínica e Colaboradora da Sociedade do Bem

Imagem de capa daqui.

Crónica publicada originalmente em Tribuna Alentejo.

 

Tornar a Primavera memorável

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Começou a Primavera!

Não há melhor altura do ano que esta para sair com as crianças e fazer todas as atividades que não pudemos fazer durante o longo período de hibernação a que estivemos sujeitos, entre gorros, cachecóis e camisolas interiores… A temperatura começa a subir, os dias são maiores, o sol aparece mais vezes, as folhas e as flores começam a despontar… e não são só as crianças que ficam mais ativas. Também nos adultos ficam com vontade de sair do casulo!

A Primavera é a altura ideal para explorar a natureza e descobrir algo que nos surpreenda ou inspire. A nós e às crianças. O sofá da sala, as brincadeiras dentro de casa, a televisão… são facilmente substituídos por corridas lá fora, por andar de bicicleta (uma oportunidade para as crianças mais pequenas aprenderem a andar sem as rodas de apoio), jogar à bola no parque, ou simplesmente, redescobrir os tons de verde.

Realizar atividades ao ar livre e contactar com a natureza, aproxima as crianças da fauna, da flora e cria novos laços emocionais e sociais com o mundo ao redor. Há inúmeras atividades que podemos fazer com elas.

Uma sugestão de uma atividade muito simples é explorar insetos, folhas e flores que encontramos na natureza. As crianças podem ir anotando ou desenhando tudo o que viram: Que insetos encontraram mais? Que árvores viram? São árvores de fruto? Que frutos dão? São mistérios que elas estão a desvendar, como verdadeiros detetives ou exploradores da natureza, podendo desta forma aprender (e tanto!) sobre o mundo que está logo ali, ao abrir a porta da rua.

Ao chegar a casa, as crianças podem dar continuidade às aprendizagens, “enchendo” o frasco de vidro com as imagens que observaram e retiveram durante o dia. Uma joaninha, borboletas, formigas? Flores, folhas, nuvens?

Download de folha com frasco de vidro (para imprimir)

Este tipo de brincadeiras desperta a curiosidade das crianças, que sentem necessidade de fazer perguntas cada vez mais profundas acerca do mundo. Brincar e explorar irá tornar esta Primavera memorável… quase tão memorável como o que as crianças irão aprender com todas as maravilhas que esta estação do ano traz.

Susana Pedro, Professora e Fundadora da Sociedade do Bem

Publicado originalmente em Tribuna Alentejo

Imagem de capa daqui.

 

Apertar os nossos laços com as crianças

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De acordo com o dicionário, responsabilidade diz respeito à obrigação que temos de responder pelas nossas próprias ações, assim como pelas ações dos outros. Para Emmanuel Levinas (filósofo), é o eu que suporta outrem, que dele é responsável, pois só assim poderemos apertar os nossos laços enquanto seres humanos.

Neste contexto de responsabilidade comum, surgem cada vez mais problemas que exigem a nossa atenção e compromisso. Numa sociedade exigente e complexa, cabe aos adultos transmitir aos mais novos a importância da responsabilidade para o bem estar comum.

Através do exemplo e do estabelecimento de objetivos e compromissos mútuos podemos fomentar nas crianças esta ideia de responsabilidade pelas suas próprias ações, pelas ações dos outros e por tudo aquilo que será o nosso legado para as gerações futuras.

Em casa, os adultos podem atribuir algumas tarefas simples como forma de começar a responsabilizar a criança para tarefas que dela dependerão. De acordo com a idade e maturidade, fazer a cama, arrumar os brinquedos, ajudar a arrumar a mesa antes e depois das refeições, verificar se o cão ainda tem água ou comida, se o lixo doméstico está a ser separado corretamente, podem ser exemplos de responsabilidades diárias que ajudam a criança a comprometer-se com os outros e a ser responsável.

Desde as questões mais triviais do nosso quotidiano, até à problemática da degradação do planeta, das questões de desigualdade social e discriminição ou da violência sob todas a suas formas, temos o dever de começar a responsabilizar as crianças para a distinção entre uma boa ação e uma má ação, o que pode comprometer a prática do bem e da justiça num determinado contexto.

Separar o lixo doméstico; não deitar lixo nas ruas, florestas e rios; gastar menos água; poupar na eletricidade; ajudar o colega que tem dificuldades em realizar alguma tarefa; não fazer troça de ninguém; respeitar as diferenças; ajudar os avós nas atividades diárias; ouvir os mais velhos; ser solidário com os que mais precisam, são exemplos de condutas responsáveis que podem fazer toda a diferença numa sociedade cada vez mais desigual.

Somos todos responsáveis pela educação dos mais novos e amanhã serão os mais novos os responsáveis pela educação das próximas gerações! O nosso contributo individual deve tornar-se coletivo, motivando uma rede de boas práticas que promovam uma cidadania responsável que pode mudar o mundo!

Somos todos responsáveis…

Lucélia Rosado, Formadora e Colaboradora da Sociedade do Bem

Publicado originalmente em Tribuna Alentejo

Imagem de capa daqui.

 

Porque rir é o melhor remédio!

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“Apesar do hospital não ser um lugar para rir, o Riso deve ter espaço no hospital”

– Sérgio Claramunt

Fazer RIR não é fácil, mas conheci duas pessoas muito especiais que o fazem com muita facilidade: o Dr. Alta-Mente e o Dr. Pessoa Pessoa. Estes dois doutores palhaços são especializados na arte de fazer RIR e, segundo eles, o RISO é um elemento muito importante no processo de tratamento das doenças. Desencadeia uma série de reações fisiológicas que têm efeitos imediatos no paciente – alívio da tensão, diminuição de stress e ansiedade, reforço do sistema imunitário, relaxamento da tensão muscular e diminuição da dor – que melhoram a situação do internado diminuindo a rejeição dos medicamentos e seus efeitos colaterais.

E onde os conheci? Num sítio bastante improvável para conhecer palhaços! No hospital.

Estes doutores palhaços têm como missão contribuir para a melhoria da qualidade de vida das crianças internadas e dos seus familiares, minimizando e aliviando o drama do ambiente hospitalar através da promoção da alegria e brincadeira, do afeto e do calor humano.

E foi isso mesmo que fizeram naquela manhã em que eu esperava ansiosa pela cirurgia do meu filho mais novo. Mesmo não sendo nada complicado (segundo os médicos), pois tratava-se apenas de uma cirurgia aos adenoides e amígdalas, fiquei um pouco nervosa. Coisas de mães! E como mãe só pensava: Será que vai demorar a acordar depois da operação? Como irá acordar? Irá sentir muitas dores? Como será que vai passar as primeiras horas?

Para além disso preocupava-me o facto do rapaz, apenas com três anos, ter já o seu temperamento vincado e como gosta BASTANTE de comer, como lhe iria eu explicar que não poderia comer nada nem beber até ao momento da operação? Ou como lhe poderia eu explicar o que estávamos ali a fazer ou ao que ele iria ser submetido? Com o passar do tempo, não só as crianças, mas também quem os acompanha, e falo por mim, começam a mostrar alguma impaciência, acabamos por estar muito tempo à espera e a ansiedade vai aumentando.

Felizmente naquela manhã estavam lá os doutores palhaços que, a cada quarto em que entravam faziam soar muitas gargalhadas. São pessoas extraordinárias que depositam uma enorme paixão no que fazem. Pessoas que para além das suas vidas conseguem dedicar algum tempo a melhorar a vida dos outros. A melhorar a vida das crianças que estão em internamento, crianças que a cada palavra destes palhaços respondem com um brilho no olhar, que a cada nova brincadeira esquecem por breves momentos o sítio onde estão, que a cada piada que os palhaços dizem RIEM, mas RIEM com verdadeira vontade, como se estes doutores palhaços, nos breves momentos que ali estão, tivessem o poder de os transportar para um mundo imaginário que por instantes se torna mágico.

E porque RIR é algo que podemos fazer sempre que nos apetece sem ter de o justificar a alguém. Porque RIR, está provado, só traz benefícios. Porque RIR desenvolve a o crescimento pessoal e aumenta a auto estima e a confiança convido-vos a conhecer não só o Dr. Alta-Mente e o Dr. Pessoa Pessoa, mas também todos os outros doutores palhaços que fazem parte desta fantástica equipa do Remédios do Riso (http://remediosdoriso.pt/wp/)

Por Vanessa Chinelo, Professora e Colaboradora da Sociedade do Bem

Publicado originalmente em  Tribuna Alentejo

Imagem  daqui.

 

Como encontrar as borboletas da motivação?

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Canetas, cadernos, trabalhos, livros, fichas, TPC´S, mochilas com ou sem rodinhas, peso nas costas, sono, aulas, estudar, dormir, explicações, atividades extracurriculares… Já está cansado/a o suficiente desta enumeração?

As crianças e jovens enfrentam todos os dias desafios constantes no que diz respeito a alcançar as metas curriculares ou as expetativas dos pais e dos seus professores. Todos os dias muitos jovens colocam-me questões, como por exemplo: “E eu? Onde estou eu? O que eu quero? Do que eu gosto?” São estas perguntas que ecoam na mente das crianças. O que sentem quando pensam sobre estes pontos de interrogação dos vossos filhos?

Coloquem um adulto a fazer algo com que eles não se identifiquem ou não consigam sentir qualquer prazer ou ganho pessoal a fazê-lo… Vai correr mal, não é? É daquelas verdades matemáticas, exatas e precisas. Agora imaginem uma criança… não vai mesmo correr bem, pois não?

As crianças dos 6 aos 12 anos e especialmente os adolescentes, encontram-se numa odisseia de sensações, de pensamentos, de ideias em construção, a descobrir se gostam mais de uma coisa em detrimento de outra, a encontrarem o seu lugar neste grande mundo. Depois os adultos, que geralmente são pais ou educadores, dizem: “Tens de tirar nota 5 a tudo”, “Tens de ser o melhor aluno da turma”, “Tens de perceber que sem estudos não vais a lado nenhum” e por aí fora. Apesar de pensarem que estão a ajudar, a fazer aquela pressão de motivação a jacto ou a agitar a consciência dos filhos… saibam que isso não vai modificar absolutamente… nada (ou se mudar chama-se Motivação Extrínseca).

É claro que podemos ir motivando os nossos filhos, mas nunca de uma forma autoritária como os exemplos que dei atrás… façam-nos refletir o porquê de estudar, o quão é importante para conseguirem alcançar os seus objetivos a curto-prazo… sim, leram bem, a curto-prazo. Se muitas vezes os próprios adultos ainda não sabem muito bem o que escolher na sua vida pessoal e profissional, temos de ser compreensivos com a construção de objetivos de vida dos nossos filhos.

Porquê? Porque se hoje gostavam de estudar para serem arquitetos daqui a algum tempo podem descobrir que o seu futuro está delineado para serem professores, por exemplo. Pelo menos de três em três meses, sensivelmente, fale com o seu filho sobre os seus interesses e descubra quais as descobertas que ele fez, seja a nível escolar, nas suas atividades extracurriculares ou noutros contextos.

Como identificar uma criança que não está motivada?

– Escolhem atividades que,na maioria das vezes, são muito facéis de concretizar;

– Precisam de muito incentivo, pela parte dos adultos, para começarem uma determinada tarefa;

– Demonstram o mínimo de esforço possivel;

– Apresentam uma atitude negativa ou apática em relação à aprendizagem e trabalho escolar;

– Desistem facilmente face uma determinada dificuldade sentida na tarefa que estão a realizar;

– Não terminam as tarefas.

Como podemos motivar as nossas crianças e jovens?

Aqui ficam algumas estratégias para ajudar na motivação face ao estudo:

– A estratégia mais importante consiste em adaptar as suas expetativas às capacidades, particularidades , gostos e competências do seu filho. Conheça-o;

– Não critique a criança. Comunique de forma calma e honesta com seu filho sobre os seus interesses, competências. Também é importante falar sobre as atividades ou tarefas onde a criança deposita um menor interesse e atenção. Compartilhe as suas opiniões tendo como ponto de partilha as atitudes e comportamentos do seu filho. Por exemplo: Se o seu filho não gosta de Matemática, tente entender o por quê de ele não gostar. Muitas vezes as crianças não sabem que gostam de uma determinada disciplina até a entenderem ou dominarem as matérias e se sentirem capazes e confiantes face a essa disciplina;

– Ajude a criança a delinear os seus objetivos ou metas. Sentem-se lado a lado, num dia mais livre e com ambiente calmo e sem pressas, comuniquem e coloque em papel os objetivos delineados pelo seu filho. Está comprovado que quando escrevermos objetivos existe um maior propensão para a realização eficaz dos mesmos. Coloque a folha dos objetivos num local visível e onde possa ser observado muitas vezes, como por exemplo, no frigorífico;

– Evite castigos ou recompensas (podem funcionar bem como motivação extrínseca, mas a longo-prazo não são rentáveis nem em manutenção ou promoção de autonomia ou autoconfiança). Incentive-o a fazer por si mesmo, pelos objetivos delineados, preferencialmente;

– Crie uma rotina de estudo saudável. Marque uma hora para a criança estudar todos os dias. A criança não deve estudar após o regresso da escola, deixe-o descansar, comer, fazer uma atividade prazerosa e depois pode estudar. O estudo deve ser feito durante 30 minutos, seguidos de uma pausa com 10 minutos. Porquê? Porque se fizer dois blocos de estudo de 30 minutos a capacidade de atenção é mantida e existe uma maior eficácia na retenção da matéria estudada;

– Quando o seu filho se mostra frustrado face a alguma determinada tarefa escolar, tente descobrir o porquê, incentive-o a ser autónomo e a não desistir face a adversidades.

Resumidamente… se o seu filho vier da escola e não vier cansado e com um sorriso nos lábios, estranhe. Espero que estas estratégias sejam úteis e agradáveis para vocês conseguirem ajudar os vossos filhos a encontrar aquelas duas borboletas simpáticas que habitam no nosso coração que se chamam “motivação” e “prazer”.

Cultivem o gosto pelo saber nas crianças.

Por Joana Fialho, Psicóloga Clínica e Colaboradora na Sociedade do Bem.

Imagem de capa daqui.

Publicado originalmente em Tribuna Alentejo.

30 atos de Bondade

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Qualquer ato de bondade, por mais pequeno que seja, pode fazer a diferença. Muitas das vezes, foram os gestos mais simples que tiveram para connosco, que acabaram por ditar grandes transformações na nossa vida. Por mudar o nosso olhar. Por moldar a pessoa que somos.

Por outro lado, pensarmos na última vez que tivemos um ato de amabilidade para com os outros, seja para com uma pessoa amiga ou para com uma pessoa estranha, tem também um impacto positivo em nós próprios. Um pouco por todo o mundo vão surgindo alguns projetos que incentivam atos de bondade nas escolas, não só por parte das crianças, como também de toda a comunidade educativa. Estas iniciativas mostram que ensinar as crianças a sentirem-se bem quando colocam um sorriso na cara de alguém, não deve ser uma tarefa exclusiva da família. Também os professores poderão ter, neste aspeto, uma intervenção mais direta e envolver a(s) sua(s) turma(s) ou até mesmo toda a escola e através de estratégias bem simples, que podem ter a duração de um ano, um mês, uma semana ou até um dia.

Os projetos Random Acts of Kindness (com representação em 310 países), Love is the New Currency (Inglaterra) ou Ripple Kindness (Austrália) partilham o objetivo de querer que as pessoas sintam o impacto que os seus gestos de bondade para com os outros podem ter nas suas próprias vidas. A começar nas crianças. “Quando colocamos um sorriso na cara de alguém, colocamos um sorriso no nosso próprio coração e são esses sentimentos positivos que nos ajudam a mudar a forma como pensamos, sentimos e comportamos” (Ripple Kindness).

Uma estratégia simples e que pode ser facilmente implementada, seja em contexto familiar ou escolar, é o Desafio da Bondade. O desafio, lançado por muitos destes projetos, consiste em entregar a cada criança (ou expor num local bem visível) uma lista com sugestões de ações simples, que podem influenciar de forma positiva a vida dos que nos rodeiam. Através deste desafio as crianças, os professores ou os pais, tios, avós… são alertados para a importância de tornarmos a vida dos outros um pouco melhor.

Elaborámos uma pesquisa e selecionámos 30 atos de bondade – dirigido a crianças e adultos – que partilhamos hoje convosco. Que tal começarmos ainda hoje a pôr em prática alguns dos atos que fazemos com menos frequência? E que tal começarmos ainda hoje a espalhar sorrisos por esse mundo?

 

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Por Susana Pedro, Professora e Fundadora da Sociedade do Bem

Imagem de capa daqui.

Publicado originalmente em Tribuna Alentejo.

Perspetivas de futuro

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Todos sabemos que a realidade complexa que nos rodeia torna-se muitas vezes um fardo pesado para os adultos, principalmente para aqueles que têm crianças a seu cargo. Muitas vezes, em prol do trabalho e da melhoria das condições financeiras, deixamos as nossas crianças entregues à escola, ao ATL, aos jogos de telemóvel, consola, internet e televisão, passando para estas o fardo pesado desse mesmo trabalho, da falta de meios económicos, das contas para pagar, da nossa precariedade e da inevitável falta de tempo para estarmos com as nossas crianças.

Cada vez mais notamos a falta de perspetiva dos jovens, tavez por ouvirem os pais/adultos lamentar-se, ou pela conjuntura atual, estes tendem a ficar desacreditados com o futuro, com a falta de oportunidades e cresce a ideia de que “estudar, para quê? Não há emprego…”.

Neste contexto de inércia, pessimismo e descrédito, urge mudar alguma coisa, pois, caso contrário, para além da falta de oportunidades começamos a detetar cada vez mais a falta de valores.

Pensar de outra forma, contrariar os sentimentos negativos e ver os problemas com outros olhos, parece fundamental numa sociedade tão exigente, onde fraquejar não será a solução.

Todos nós conseguimos fazer melhor, todos podemos lutar pelos nossos sonhos, basta apostar nos sentimentos positivos. As nossas crianças e jovens precisam olhar o futuro e somos nós adultos que temos o dever de os ajudar, fazer com que acreditem nas suas capacidades e desenvolvam as suas competências.

Sabemos que as crianças e jovens são os adultos de amanhã, então não esqueçamos de os preparar para serem bons adultos, boas pessoas, com iniciativa, criatividade e capazes de mudar o mundo.

Se motivação é a disposição interna de um organismo para efetuar determinadas ações ou facilitar a sua execução, se esta é a força geradora do comportamento, então arranjemos estratégias para motivar. A escola não pode ser a única responsável por este processo. Aprender música, dança, fazer desporto, ser voluntário, ir ao teatro, conhecer outras realidades, são oportunidades de crescimento e de desenvolvimento de capacidades/talentos que estão à disposição de todos, basta motivar e apoiar. Basta acompanhar e orientar.

Muitas vezes é dos bairros mais problemáticos e desfavorecidos socialmente que vêm os nossos mais talentosos jogadores de futebol, músicos, artistas plásticos…

Nem todos temos que estudar no ensino superior para termos perspectivas de futuro, mas todos temos que lutar por um sonho, por uma oportunidade para fazermos aquilo que gostamos e que pode fazer a diferença entre ficar na inércia e seguir em frente, rumo ao objetivo, ser autónomo, ser bom no que fazemos! E temos tantos exemplos…

Todos temos futuro…

Lucélia Rosado, Formadora e Colaboradora na Sociedade do Bem

Imagem de capa daqui.

Publicado originalmente em Tribuna Alentejo.

Namoro em família!

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Reza a lenda que Valentim era um bispo que lutou contra as ordens de um imperador: Cláudio II. Este imperador havia proibido os casamentos por pensar que era mais fácil criar um exército com homens solteiros, pois estes não teriam família e mais facilmente se alistariam. Mas Valentim continuou a casar alguns jovens casais em segredo até ser descoberto pelo imperador que o mandou prender e condenou à morte.

Enquanto estava preso Valentim recebia muitas visitas e muitos bilhetes de jovens que diziam continuar a acreditar no amor. Foi durante a sua prisão que se apaixonou por uma jovem cega, filha de um carcereiro. Diz-se que milagrosamente a jovem recuperou a visão depois de uma visita a Valentim.

Valentim viria a ser executado no dia 14 de fevereiro mas antes deixou uma mensagem à jovem por quem se havia apaixonado. No final da sua mensagem assinou “do teu Valentim”.

Pensa-se que, será essa a razão pela qual ainda hoje se trocam mensagens neste dia.

É claro que, na minha opinião, não devemos esperar por este dia para demonstrar o nosso amor, mas já que ele existe podemos sempre torná-lo especial. O amor deve ser transmitido todos os dias nem que seja em pequenos gestos. Todos os dias devemos demonstrar àqueles que mais amamos o quanto são importantes nas nossas vidas. É importante que os que partilham connosco o dia a dia saibam o que significa para nós a sua presença.

Podemos aproveitar o dia de S. Valentim, para comemorar o amor familiar e envolver os nossos filhos nesta troca de sentimentos. Como? Ficam aqui algumas dicas:

– Comece por preparar um pequeno almoço especial e explique o por quê aos mais novos;

– Façam uma pesquisa em conjunto sobre a lenda e sobre algumas curiosidades deste dia: quem era Valentim, porque também aparece Cupido como imagem de referência a este dia;

– Poderão também pesquisar a expressão: “amo-te” em várias línguas e tentar prenunciá-las. Vai ser engraçado;

– Combinem uma troca de cartões e puxem pela criatividade e imaginação;

– Deixem pequenos bilhetes espalhados pela casa, com mensagens simples e simpáticas, onde saibam que a pessoa a quem são dirigidos os encontrem;

– Preparem uma refeição especial em conjunto, podem fazer um bolo em forma de coração para a sobremesa;

– Preparem a mesa de refeições, podem decorá-la, podem fazer bases em forma de coração para os copos, ou até mesmo para os pratos, podem colocar palhinhas com corações nos copos, ou colocar uma toalha alusiva ao dia;

– Escrevam juntos um poema ou simples quadras;

– Façam um jogo para ver quem conhece mais casais românticos, como por exemplo: Romeu e Julieta, Shrek e Fiona, Bela e Monstro;

– Podem assistir a um filme de animação juntos com direito a pipocas;

– Como o dia é especial, até podem comer gomas ou bombons em forma de coração;

– Tirem fotografias para mais tarde recordar o quanto divertido foi este dia;

– Descontraiam, divirtam-se simplesmente, brinquem muito e digam “amo-te”, “adoro-te”, “gosto muito de ti” o número de vezes que vos apetecer.

O importante é comemorar este dia e aproveitar para o tornar especial, diferente e divertido. Todos nós precisamos de dias especiais, diferentes e divertidos em família.

Por Vanessa Chinelo, Professora e Colaboradora da Sociedade do Bem

Imagem daqui.

Publicado originalmente em Tribuna Alentejo.