Ninguém nasce mau

 

untitled_design_90.jpg

“Ninguém nasce mau” – Alice Miller

Alice Miller, psicóloga polaca e autora de livros traduzidos para várias línguas, foi pioneira na defesa da ideia que as crianças que são vítimas de castigos corporais pelos pais, tornam-se adultos agressivos “A criança esbofeteada numa geração, será a abusadora da próxima”. Para a autora, os piores ditadores do século XX, como Hitler ou Estaline, eram frequentemente maltratados na infância e aceitavam-no com naturalidade, negando sentir qualquer dor.

A sua controversa tese, contestada por muitos pais, viu pela primeira vez a luz do dia em 1979, com a publicação do livro “O Drama de ser uma criança”, que veio lançar o debate se a violência sobre as crianças gera ou não uma sociedade violenta. Começava assim a luta de Alice Miller de mudar a forma como tratamos as crianças.

O que é certo é que quase todos os pais que batem, mesmo que ocasionalmente nos seus filhos, consideram que não os maltratams: aplicar castigos físicos ou corporais é sinónimo de disciplinar e dar uma palmada ou uma bofetada não representa um mau trato, nem físico nem emocional – defendem. Esta foi a mensagem que receberam dos seus pais, e estes dos seus pais, ao longo de sucessivas gerações. E se não lhes fez mal a eles, também não fará aos seus filhos. Estes, por seu lado, consideram que se as pessoas que mais gostam deles lhes batem, deve ser para o seu bem. Afinal, muitas destas palmadas, estaladas ou empurrões foram merecidas porque eles “estavam a ser maus”.

Mas a verdade é que a violência sobre as crianças gera adultos violentos no futuro. Quando um pai bate no filho está a dizer-lhe que não vale a pena dialogar ou que, no limite, bater é correto e aceitável… Está a ensinar-lhe que quando ele não gostar que uma atitude que tenham para com ele, bater pode ser a resposta… Está a transmitir-lhe que vivemos numa sociedade em que os mais fortes têm o direito de agredir os mais fracos.

No seu livro “For your own good” (1985), Alice Miller publicou uma lista de 12 pontos¹ acerca de como deve ser uma verdadeira mudança na forma como a sociedade vê as suas crianças:

1. Todas as crianças nascem apara crescer, para se desenvolver, para viver, para amar e para articular as suas necessidades e sentimentos para sua auto proteção.

2. Para o seu desenvolvimento, as crianças precisam do respeito e proteção dos adultos que os amam e ajudam honestamente a orientá-las no mundo.

3. Quando essas necessidades vitais são frustradas e em vez disso as crianças são maltratadas, em nome das necessidades dos adultos, exploradas, espancadas, punidas, manipuladas, negligenciadas ou enganadas, sem a intervenção de qualquer testemunha, a sua integridade vai ser prejudicada.

4. As reações normais devem ser raiva e dor. Uma vez que as crianças neste tipo de ambiente são proibidas de expressar sua raiva e uma vez que seria insuportável aguentarem a dor sozinhas, as crianças são levadas a suprimir as suas emoções, a reprimir a memória do trauma e a idealizar os culpados desses abusos. Mais tarde elas não irão recordar-se o que lhes foi feito.

5. Dissociada da causa original, os seus sentimentos de raiva, impotência, desespero, solidão, ansiedade e dor vão encontrar expressão em atos destrutivos contra os outros ou contra si próprias.

6. Quando essas crianças se tornarem pais, elas irão direcionar os seus atos de vingança para com os maus tratos que receberam na infância, contra os seus próprios filhos, que eles usarão como bodes expiatórios. Os pais batem nos seus filhos com o propósito de escapar às emoções decorrentes da forma como foram tratados pelos próprios pais.

7. É essencial que, pelo menos uma vez na vida das crianças que foram maltratadas, entrem em contato com uma pessoa que sabe sem sombra de dúvida que o ambiente em que a crianças cresceu é que esteve em falta e não ela. A este respeito, o conhecimento ou a ignorância por parte da sociedade pode ser fundamental, quer a salvar quer em destruir uma vida. Aqui reside a grande oportunidade para os familiares, assistentes sociais, terapeutas, professores, médicos, psiquiatras, funcionários, enfermeiros e outras pessoas estarem presentes para apoiar a criança e acreditar nela.

8. Até agora, a sociedade protegeu o adulto e culpou a vítima. O adulto foi auxiliado por teorias, ainda em harmonia com os princípios pedagógicos do tempo dos nossos bisavós, segundo as quais as crianças são vistas como criaturas astutas, dominadas pelo Mal, que inventam histórias e atacam os seus pais inocentes. Na realidade, as crianças tendem a culpar-se da crueldade dos seus pais (que amam incondicionalmente) e a absolvê-los de toda a responsabilidade.

9. De há alguns anos para cá, tem sido possível provar, graças à utilização de novos métodos terapêuticos, que experiências traumáticas na infância reprimidas são armazenadas no corpo e, embora permaneçam inconscientes, exercem a sua influência mesmo na idade adulta. Além disso, testes eletrónicos do feto revelaram um fato até então desconhecido para a maioria dos adultos: uma criança responde a e aprende tanto ternura como crueldade desde o primeiro instante.

10. À luz deste novo conhecimento, mesmo o comportamento mais absurdo revela sua lógica, anteriormente escondida, uma vez que as experiências traumáticas da infância são reveladas.

11. A nossa sensibilização para a crueldade com que são tratadas as crianças, até agora comummente negada, bem como as consequências de tal tratamento, irão pôr um fim na perpetuação da violência de geração para geração.

12. As pessoas cuja integridade não foi atacada na infância, que foram protegidas, respeitadas e tratadas com honestidade pelos seus pais, serão – tanto na sua juventude como na idade adulta – inteligentes, sensíveis, empáticas e altamente sensíveis. Elas irão ter prazer na vida e não vão sentir qualquer necessidade de matar ou mesmo magoar os outros ou a si próprios. Elas vão usar o seu poder para se defenderem, mas não para atacar outros. Elas não serão capazes de fazer outra coisa senão respeitar e proteger os mais fracos, incluindo os seus filhos, porque é isso que eles aprenderam a partir de sua própria experiência e porque é este conhecimento (e não a experiência de crueldade) que tem sido armazenado no seu interior desde o início.

Tais pessoas serão incapazes de compreender por que as gerações anteriores tiveram de construir uma indústria de guerra gigantesca, a fim de se sentirem à vontade e seguras neste mundo. Uma vez que não tiveram de lidar com intimidação numa idade muito precoce, elas serão capazes de lidar com tentativas de intimidação na vida adulta de uma forma mais racional e mais criativa.

Por Susana Pedro, Professora e Fundadora da Sociedade do Bem

Bibliografia:

http://www.naturalchild.org/alice_miller/society_protected.html

http://www.nospank.net/pt2007.htm

1. Tradução livre de http://www.naturalchild.org/alice_miller/tenderness.html

Imagem de capa daqui.

Publicado originalmente em Tribuna Alentejo

 

Anúncios

Como encontrar as borboletas da motivação?

brincar_e_aprender_-_poesia_e_musica_na_educacao_de_criancas_gratuito

 

Canetas, cadernos, trabalhos, livros, fichas, TPC´S, mochilas com ou sem rodinhas, peso nas costas, sono, aulas, estudar, dormir, explicações, atividades extracurriculares… Já está cansado/a o suficiente desta enumeração?

As crianças e jovens enfrentam todos os dias desafios constantes no que diz respeito a alcançar as metas curriculares ou as expetativas dos pais e dos seus professores. Todos os dias muitos jovens colocam-me questões, como por exemplo: “E eu? Onde estou eu? O que eu quero? Do que eu gosto?” São estas perguntas que ecoam na mente das crianças. O que sentem quando pensam sobre estes pontos de interrogação dos vossos filhos?

Coloquem um adulto a fazer algo com que eles não se identifiquem ou não consigam sentir qualquer prazer ou ganho pessoal a fazê-lo… Vai correr mal, não é? É daquelas verdades matemáticas, exatas e precisas. Agora imaginem uma criança… não vai mesmo correr bem, pois não?

As crianças dos 6 aos 12 anos e especialmente os adolescentes, encontram-se numa odisseia de sensações, de pensamentos, de ideias em construção, a descobrir se gostam mais de uma coisa em detrimento de outra, a encontrarem o seu lugar neste grande mundo. Depois os adultos, que geralmente são pais ou educadores, dizem: “Tens de tirar nota 5 a tudo”, “Tens de ser o melhor aluno da turma”, “Tens de perceber que sem estudos não vais a lado nenhum” e por aí fora. Apesar de pensarem que estão a ajudar, a fazer aquela pressão de motivação a jacto ou a agitar a consciência dos filhos… saibam que isso não vai modificar absolutamente… nada (ou se mudar chama-se Motivação Extrínseca).

É claro que podemos ir motivando os nossos filhos, mas nunca de uma forma autoritária como os exemplos que dei atrás… façam-nos refletir o porquê de estudar, o quão é importante para conseguirem alcançar os seus objetivos a curto-prazo… sim, leram bem, a curto-prazo. Se muitas vezes os próprios adultos ainda não sabem muito bem o que escolher na sua vida pessoal e profissional, temos de ser compreensivos com a construção de objetivos de vida dos nossos filhos.

Porquê? Porque se hoje gostavam de estudar para serem arquitetos daqui a algum tempo podem descobrir que o seu futuro está delineado para serem professores, por exemplo. Pelo menos de três em três meses, sensivelmente, fale com o seu filho sobre os seus interesses e descubra quais as descobertas que ele fez, seja a nível escolar, nas suas atividades extracurriculares ou noutros contextos.

Como identificar uma criança que não está motivada?

– Escolhem atividades que,na maioria das vezes, são muito facéis de concretizar;

– Precisam de muito incentivo, pela parte dos adultos, para começarem uma determinada tarefa;

– Demonstram o mínimo de esforço possivel;

– Apresentam uma atitude negativa ou apática em relação à aprendizagem e trabalho escolar;

– Desistem facilmente face uma determinada dificuldade sentida na tarefa que estão a realizar;

– Não terminam as tarefas.

Como podemos motivar as nossas crianças e jovens?

Aqui ficam algumas estratégias para ajudar na motivação face ao estudo:

– A estratégia mais importante consiste em adaptar as suas expetativas às capacidades, particularidades , gostos e competências do seu filho. Conheça-o;

– Não critique a criança. Comunique de forma calma e honesta com seu filho sobre os seus interesses, competências. Também é importante falar sobre as atividades ou tarefas onde a criança deposita um menor interesse e atenção. Compartilhe as suas opiniões tendo como ponto de partilha as atitudes e comportamentos do seu filho. Por exemplo: Se o seu filho não gosta de Matemática, tente entender o por quê de ele não gostar. Muitas vezes as crianças não sabem que gostam de uma determinada disciplina até a entenderem ou dominarem as matérias e se sentirem capazes e confiantes face a essa disciplina;

– Ajude a criança a delinear os seus objetivos ou metas. Sentem-se lado a lado, num dia mais livre e com ambiente calmo e sem pressas, comuniquem e coloque em papel os objetivos delineados pelo seu filho. Está comprovado que quando escrevermos objetivos existe um maior propensão para a realização eficaz dos mesmos. Coloque a folha dos objetivos num local visível e onde possa ser observado muitas vezes, como por exemplo, no frigorífico;

– Evite castigos ou recompensas (podem funcionar bem como motivação extrínseca, mas a longo-prazo não são rentáveis nem em manutenção ou promoção de autonomia ou autoconfiança). Incentive-o a fazer por si mesmo, pelos objetivos delineados, preferencialmente;

– Crie uma rotina de estudo saudável. Marque uma hora para a criança estudar todos os dias. A criança não deve estudar após o regresso da escola, deixe-o descansar, comer, fazer uma atividade prazerosa e depois pode estudar. O estudo deve ser feito durante 30 minutos, seguidos de uma pausa com 10 minutos. Porquê? Porque se fizer dois blocos de estudo de 30 minutos a capacidade de atenção é mantida e existe uma maior eficácia na retenção da matéria estudada;

– Quando o seu filho se mostra frustrado face a alguma determinada tarefa escolar, tente descobrir o porquê, incentive-o a ser autónomo e a não desistir face a adversidades.

Resumidamente… se o seu filho vier da escola e não vier cansado e com um sorriso nos lábios, estranhe. Espero que estas estratégias sejam úteis e agradáveis para vocês conseguirem ajudar os vossos filhos a encontrar aquelas duas borboletas simpáticas que habitam no nosso coração que se chamam “motivação” e “prazer”.

Cultivem o gosto pelo saber nas crianças.

Por Joana Fialho, Psicóloga Clínica e Colaboradora na Sociedade do Bem.

Imagem de capa daqui.

Publicado originalmente em Tribuna Alentejo.

30 atos de Bondade

sharing-ice-cream-kids_f.jpg

Qualquer ato de bondade, por mais pequeno que seja, pode fazer a diferença. Muitas das vezes, foram os gestos mais simples que tiveram para connosco, que acabaram por ditar grandes transformações na nossa vida. Por mudar o nosso olhar. Por moldar a pessoa que somos.

Por outro lado, pensarmos na última vez que tivemos um ato de amabilidade para com os outros, seja para com uma pessoa amiga ou para com uma pessoa estranha, tem também um impacto positivo em nós próprios. Um pouco por todo o mundo vão surgindo alguns projetos que incentivam atos de bondade nas escolas, não só por parte das crianças, como também de toda a comunidade educativa. Estas iniciativas mostram que ensinar as crianças a sentirem-se bem quando colocam um sorriso na cara de alguém, não deve ser uma tarefa exclusiva da família. Também os professores poderão ter, neste aspeto, uma intervenção mais direta e envolver a(s) sua(s) turma(s) ou até mesmo toda a escola e através de estratégias bem simples, que podem ter a duração de um ano, um mês, uma semana ou até um dia.

Os projetos Random Acts of Kindness (com representação em 310 países), Love is the New Currency (Inglaterra) ou Ripple Kindness (Austrália) partilham o objetivo de querer que as pessoas sintam o impacto que os seus gestos de bondade para com os outros podem ter nas suas próprias vidas. A começar nas crianças. “Quando colocamos um sorriso na cara de alguém, colocamos um sorriso no nosso próprio coração e são esses sentimentos positivos que nos ajudam a mudar a forma como pensamos, sentimos e comportamos” (Ripple Kindness).

Uma estratégia simples e que pode ser facilmente implementada, seja em contexto familiar ou escolar, é o Desafio da Bondade. O desafio, lançado por muitos destes projetos, consiste em entregar a cada criança (ou expor num local bem visível) uma lista com sugestões de ações simples, que podem influenciar de forma positiva a vida dos que nos rodeiam. Através deste desafio as crianças, os professores ou os pais, tios, avós… são alertados para a importância de tornarmos a vida dos outros um pouco melhor.

Elaborámos uma pesquisa e selecionámos 30 atos de bondade – dirigido a crianças e adultos – que partilhamos hoje convosco. Que tal começarmos ainda hoje a pôr em prática alguns dos atos que fazemos com menos frequência? E que tal começarmos ainda hoje a espalhar sorrisos por esse mundo?

 

1..png

Por Susana Pedro, Professora e Fundadora da Sociedade do Bem

Imagem de capa daqui.

Publicado originalmente em Tribuna Alentejo.

Perspetivas de futuro

ch_1

 

Todos sabemos que a realidade complexa que nos rodeia torna-se muitas vezes um fardo pesado para os adultos, principalmente para aqueles que têm crianças a seu cargo. Muitas vezes, em prol do trabalho e da melhoria das condições financeiras, deixamos as nossas crianças entregues à escola, ao ATL, aos jogos de telemóvel, consola, internet e televisão, passando para estas o fardo pesado desse mesmo trabalho, da falta de meios económicos, das contas para pagar, da nossa precariedade e da inevitável falta de tempo para estarmos com as nossas crianças.

Cada vez mais notamos a falta de perspetiva dos jovens, tavez por ouvirem os pais/adultos lamentar-se, ou pela conjuntura atual, estes tendem a ficar desacreditados com o futuro, com a falta de oportunidades e cresce a ideia de que “estudar, para quê? Não há emprego…”.

Neste contexto de inércia, pessimismo e descrédito, urge mudar alguma coisa, pois, caso contrário, para além da falta de oportunidades começamos a detetar cada vez mais a falta de valores.

Pensar de outra forma, contrariar os sentimentos negativos e ver os problemas com outros olhos, parece fundamental numa sociedade tão exigente, onde fraquejar não será a solução.

Todos nós conseguimos fazer melhor, todos podemos lutar pelos nossos sonhos, basta apostar nos sentimentos positivos. As nossas crianças e jovens precisam olhar o futuro e somos nós adultos que temos o dever de os ajudar, fazer com que acreditem nas suas capacidades e desenvolvam as suas competências.

Sabemos que as crianças e jovens são os adultos de amanhã, então não esqueçamos de os preparar para serem bons adultos, boas pessoas, com iniciativa, criatividade e capazes de mudar o mundo.

Se motivação é a disposição interna de um organismo para efetuar determinadas ações ou facilitar a sua execução, se esta é a força geradora do comportamento, então arranjemos estratégias para motivar. A escola não pode ser a única responsável por este processo. Aprender música, dança, fazer desporto, ser voluntário, ir ao teatro, conhecer outras realidades, são oportunidades de crescimento e de desenvolvimento de capacidades/talentos que estão à disposição de todos, basta motivar e apoiar. Basta acompanhar e orientar.

Muitas vezes é dos bairros mais problemáticos e desfavorecidos socialmente que vêm os nossos mais talentosos jogadores de futebol, músicos, artistas plásticos…

Nem todos temos que estudar no ensino superior para termos perspectivas de futuro, mas todos temos que lutar por um sonho, por uma oportunidade para fazermos aquilo que gostamos e que pode fazer a diferença entre ficar na inércia e seguir em frente, rumo ao objetivo, ser autónomo, ser bom no que fazemos! E temos tantos exemplos…

Todos temos futuro…

Lucélia Rosado, Formadora e Colaboradora na Sociedade do Bem

Imagem de capa daqui.

Publicado originalmente em Tribuna Alentejo.

Queres ser meu amigo?

“O que procuramos no mundo é um lugar onde seja possível encontrar amizade e empatia”

– Evan do Carmo

reputation.jpg

Desde o momento em que nascemos que estamos rodeados de pessoas, precisamos dos nossos pais para cuidar de nós, dos avós, dos tios, dos melhores amigos dos nossos pais, das educadoras, dos professores, entre outras pessoas responsáveis pela nossa educação.

Por outras palavras, o ser humano, desde o primeiro dia da sua vida, está em constante contacto social. O modo como interagimos com os outros e com o meio que nos circunda irá transformar o nosso desenvolvimento, seja psicológico, emocional ou social. A partir dos 7 anos de idade, a criança descentraliza-se de si e começa a adquirir competências para conseguir dar os seus primeiros passos para a terra da “Amizade”, ou seja, a empatia começa a modificar o modo como a criança encara o seu mundo interno. A criança consegue colocar-se no lugar do outro, entender o que o outro sente em determinadas situações, partilhar emoções, dar opiniões, questionar o outro, etc.

É importante referir que desde o primeiro ano de vida que a criança experiencia vários modos de socialização que ocorrem com as suas primeiras figuras de referência: os pais. É muito importante para a saúde mental da criança a descoberta de novas sensações, pessoas, emoções, lugares e novas experiências.

O bebé vai guardando esses vários episódios emocionais e sociais numa grande biblioteca de emoções e vai adquirindo cada vez mais perceções, ideias e noções do que é estar em contacto com o mundo, como deve reagir a situações específicas, como se comportar, entre outros aspetos importantes nas primeiras noções de socialização.

Mais tarde, quando a criança entra para a creche, infantário ou outro meio que lhe proporcione novas experiências… irá conhecer mais pessoas, sobretudo crianças com idades idênticas e/ou próximas e começará a pesquisar na sua biblioteca de emoções, agora já maior e mais desenvolvida, toda uma panóplia de informação, seja esta cognitiva, emocional e social, que irá servir de modelo ou guia de orientação para as suas primeiras interações com outras crianças.

Quando se priva uma criança de socializar nos seus primeiros anos de vida, para além de empobrecer a sua vida no geral, estamos a proibir-lhe a construção contínua desta biblioteca que vos falo, o que pode ser muito triste e debilitante para o desenvolvimento cognitivo e emocional da criança. A sua maturidade ficará danificada, teremos crianças com menos capacidade de adaptação, com um comportamento mais infantil, instáveis emocionalmente, menos empáticas, mais agressivas, menos altruístas e positivas.

Num mundo cada vez mais digital, com mais informação, um contacto menos personalizado e direto nas redes sociais … deparei-me com as limitações e perigos com que as crianças hoje em dia socializam e têm as suas primeiras noções do que é ser-se amigo.

Estava a conversar com uma menina com cerca de doze anos quando a surpreendi dizendo que queria ser amiga dela, ao que ela responde que não, porque ainda não lhe tinha mandado um convite de amizade no Facebook e que só a partir desse momento poderíamos ser amigas. Tirei uma folha do meu bloco de notas e escrevi a velha forma de fazer amigos: “Queres ser minha amiga? Sim, Não, Não sei”. “Agora responde com uma cruz”, disse eu com um sorriso maroto entre os lábios.

Ela agarrou na folha, riu-se e perguntou: “Para que é que escreveste isto se estávamos aqui as duas? Podes-me perguntar agora.” Depois, meio chocada com o que aconteceu diante dos seus olhos, levou a sua mão à boca e em total surpresa e disse: “AH! Isto não faz sentido, nós estamos frente a frente. Quero ser tua amiga, Joana.”

Fazer amigos e manter amizades representam fatores muito importantes para o desenvolvimento saudável de um ser humano. Estas interações entre crianças querem-se equilibradas, recíprocas e ricas de momentos de felicidade, harmonia e de partilha.

A maioria das crianças conhecem e fazem os seus amigos na escola, no bairro onde habitam ou em grupos em que estão inseridos, como por exemplo nos escuteiros, nas atividades extra-curriculares ou no centro de explicações. As atividades mais típicas entre crianças consistem em brincar, partilhar coisas como cromos, bonecos, berlindes ou jogos e ajudar quando um amigo está mais triste, quando está com dificuldades nos trabalhos de casa ou nas avaliações escolares.

Um amigo é alguém que irá proporcionar mais autoestima, bem-estar, um melhor ajustamento escolar e social, maior estabilidade emocional, desenvolvimento da empatia, maior autoconfiança, mais atitudes positivas em ambiente escolar, entre outros aspetos.

Joana Fialho, Psicóloga Clínica e colaboradora na Sociedade do Bem

Imagem de capa daqui.

Publicado originalmente em Tribuna Alentejo

Refletir, é preciso…

be5b2e1d-570e-49ec-abd6-bbbb6b694480

 

Refletir é pensar sobre as coisas, a realidade que nos rodeia. Podemos estar a falar de atitudes, comportamentos, temas relevantes que despertam a nossa atenção, da personalidade dos outros ou da forma como vamos arranjar solução para o tal problema que temos no dia-a-dia. No nosso quotidiano somos constantemente confrontados com a necessidade de refletir.

Os professores, formadores e todos os especialistas na área da educação e formação deparam-se cada vez mais com a dificuldade que os adolescentes têm em pensar, até refletir antes de agir. Parece ser mais fácil indicar, referir, repetir o conhecimento que nos foi transmitido, do que refletir, comentar, dar a opinião, utilizar argumentos pessoais com base na própria experiência e falar sobre si próprio. Será que a escola, a família e a sociedade em geral, estão mais preocupados com o fato das suas crianças, adolescentes e um dia adultos, saberem muita coisa, ao invés de pensarem sobre essas mesmas coisas? Ou serão as novas tecnologias e o acesso facilitado a todas as áreas do saber que descomprometem as crianças e jovens desta necessidade?

Para Carl Rogers (1902 – 1987), psicoterapeuta, a verdadeira aprendizagem era mais que a mera aquisição de conhecimentos, propondo este uma superação do modelo passivo, memorístico e mecânico tradicional, por meio de uma aprendizagem vivencial, porque a educação não é adestramento, tornar destro, mas sim a capacidade de evoluirmos enquanto pessoas, construir o nosso próprio caminho.

Não será mais pertinente ajudar as nossas crianças, que um dia serão os nossos adultos, a pensar por si próprios? Pois é, preparar pessoas, seres humanos responsáveis, deverá começar por ensinar aos mais pequenos a importância de refletir sobre as suas atitudes e as atitudes dos outros, sobre a diferença e a forma de lidar com esta, sobre temas como o racismo, preconceito, guerras, entre tantos outros que invadem a nossa vida todos os dias.

Desde cedo é preciso utilizar estratégias, talvez baseadas em métodos ativos que conduzam à reflexão, para que mude alguma coisa. Isto deve começar em casa, desenvolvendo-se na escola e na própria comunidade. Para tal, os pais, educadores, professores e todos os adultos que de certa forma são responsáveis por educar/ensinar crianças e jovens, devem, antes de mais, orientar, acompanhar, provocar a modificação destes enquanto pessoas, o que permitirá alterar comportamentos e atitudes perante a vida em comunidade.

Criar boas pessoas, conscientes e com comportamentos assertivos deverá ser prioridade. Refletir, continua a ser preciso!

Lucélia Rosado, formadora e colaboradora na Sociedade do Bem

Imagem daqui

Publicado originalmente em Tribuna Alentejo

Uma questão de tempos!

bebe

No meu tempo! Quando ouvimos esta expressão pensamos sempre que está a ser referida por alguém muito mais velho do que nós. Mas também eu já a refiro muitas vezes, isto porque acho que nos últimos tempos tudo evoluiu a uma velocidade estonteante e refiro-me mesmo a tudo!

Ouvir o meu filho perguntar: “Mãe, onde está o carregador do meu tablet?”, ou “Mãe, posso tirar uma fotografia com o teu smartphone?”, ou ainda “Mãe, posso ir ouvir música no meu ipad?” Perguntas como estas nunca as fiz aos meus pais. Por um lado, consigo aceitar e até ver o lado positivo desta evolução, por outro confesso que me assusta e penso muitas vezes se o meu abraço não será trocado por uma simples conversa via skype.

Se eu vibrava com a história da Bela Adormecida e ficava entusiasmadíssima com o simples facto de saber se o príncipe chegaria a tempo de a beijar ou não, ou ficava emocionada ao ver a princesa Bela a dançar com o Monstro, ou aterrorizada ao ver as maldades da bruxa para com a Branca de Neve, hoje, o meu filho prefere ficar colado ao ecrã a ver bonecos só com pés e cabeça, azuis e cor de laranja a fazer piadas sobres vómitos, ou a ver um boneco que se designa como sendo uma esponja amarela que vive num ananás no fundo do mar e que tem como seu melhor amigo uma espécie de estrela do mar, que mora debaixo de uma pedra na rua da Concha mais propriamente na Fenda do Bikini , ou ainda, como dois patos que conduzem uma espécie de foguetão e a sua missão é entregar pães pela Patolândia… Estes patos têm como grande ídolo o Padeiro e contam piadas que só crianças desta idade parecem perceber. Enfim, tempos são tempos e tenho de ser eu, claro, a adaptar-me ao tempo dele.

No entanto, não deixa de ser interessante ver como uma criança de 5 anos coloca um DVD a funcionar ou como liga um computador portátil e diz precisar de uma pen drive para guardar as imagens de super-heróis que acabou de descobrir na sua viagem pela internet.

Se a nós pais já causa estranheza, imaginem os pobres dos avós que ficam todos baralhados com esta nova linguagem e com tanta tecnologia que lhes rouba a atenção dos seus netos. “Avô, o teu telemóvel não presta, não tem jogos nem dá para tirar fotografias!” E o meu pai, coitado, olha para mim com aquela expressão que eu tão bem conheço e sei que está a pensar: “Mas este aparelho que a minha filha me deu e me obriga a usar não serve apenas para receber e fazer chamadas para a tranquilizar de que estou bem esteja eu onde estiver?”

Como posso explicar ao meu pai que o meu filho não sabe lançar um pião? Ou que o rapaz não é muito dado a jogar ao berlinde?

Contudo, é bom ver como jogam os dois à bola no quintal, é bom ver como o meu pai finge estar a perceber o que o neto lhe está a explicar num jogo do tablet, ou como se mostra conhecedor das aventuras e das personagens que o neto descreve dos desenhos animados que vê. É bom ver o entusiamo dos dois enquanto o avô explica, com a paciência que só ele sabe ter, como funciona uma cana de pesca. É bom ver que adoram estar juntos simplesmente a passear, que mesmo distantes em algumas coisas estas idades se aproximam em tantas outras, como no amor, no companheirismo, na amizade e nem mesmo a questão das tecnologias os afasta.

Vanessa Chinelo, Professora e colaboradora na Sociedade do Bem

Imagem de capa daqui.

Publicado originalmente em Tribuna Alentejo

 

Ano novo, escola nova!

* ou resoluções de ano novo que todos os professores deviam fazer

capa 2

Vem aí a passagem de ano, época de fazer resoluções: perder peso ou adotar um estilo de vida mais saudável são as mais comuns, mas… e um professor? O que decide um professor alterar ou melhorar no ano que entra para que este se transforme no ano da sua vida, para além das resoluções mais comuns que fazem parte da lista? Que objetivos poderá ele definir para si e, consequentemente para a sua sala de aula, para criar um ambiente mais positivo para todos?

Este artigo reúne algumas sugestões de resoluções de ano novo que poderão inspirar professores e fazê-los voltar a sentir a mesma energia com que contagiavam os colegas durante o seu ano de estágio ou no primeiro ano em que deram aulas. Afinal, ainda vamos a caminho do 2º período e está na altura de recarregar as baterias porque… ano novo, escola nova!

  1. Ser mais autêntico

Todos nós já tivemos, a certa altura da vida, um professor que nunca esquecemos. Um professor que, mais que ver os seus alunos, conseguia ver pessoas, que conseguia manter um relacionamento genuíno com sua turma e por isso, as suas aulas eram fantásticas! Este tipo de relacionamento era construído ao longo do tempo e geralmente a disciplina a cargo deste professor passava a ser a disciplina favorita dos seus alunos naquele ano e tanto fazia se era Matemática, História ou Francês. Um professor autêntico tem em si o poder de marcar a vida dos alunos para sempre e de se tornar inesquecível.

1

2. Ser positivo

Toques de entrada, toques de saída, livros de ponto, pautas, fichas corrigidas e outras tantas por corrigir…Quem escolhe ser professor sabe que há profissões mais tranquilas mas há que continuar a correr… e por gosto! Para isso é preciso manter o foco nos objetivos e ir em frente. Para promover um ambiente mais positivo tem de se ser positivo: nas mãos do professor está sobretudo o poder de mudar o mundo, através da ação e influência sobre os seus alunos.

2

3. Saber inovar

Todos os professores sabem que o estabelecimento de certas rotinas é favorável a um bom ambiente na sala de aula. Mas… e quando a rotina passa a estar na base do desinteresse dos alunos? Levar novas estratégias e recursos para a sala de aula, como um jogo didático ou permitir que os alunos organizem as suas atividades com recurso a novas tecnologias, pode ajudar a manter ou a estimular a motivação dos alunos para as aprendizagens e despertar neles a curiosidade pelo conhecimento do mundo que os rodeia. A criatividade é a chave!

3

4. Criar entusiasmo pelas aprendizagens

Na sequência da inovação… vem o entusiasmo! Entusiasmo gera entusiasmo e ninguém lhe fica indiferente. Colaborar com os outros, saber transmitir uma ideia de forma estruturada, integrar uma equipa enquanto líder ou membro, pesquisar informações acerca de um tema, promovendo o desenvolvimento dos alunos enquanto pessoas autónomas… É o professor que sabe qual a melhor forma de estimular o gosto por aprender e dinamizar os alunos no âmbito das suas aulas e do seu envolvimento com a comunidade.

4

5. Ser um exemplo para os seus alunos

Explicar a importância da reciclagem enquanto se deita a garrafa de água para o caixote do lixo envia uma mensagem, no mínimo, contraditória, o que mostra que até nas pequenas ações o professor deve tentar ser um exemplo. Na reciclagem e na vida dos seus alunos.

5

6. Em todas as atitudes, ter consciência que ser professor é uma profissão nobre

A profissão de professor está na origem de todas as outras profissões. É graças aos professores que existem médicos, economistas, advogados… e mais professores! Quando o professor toma consciência da importância da sua ação sobre uma turma, do poder que ele tem de alargar o horizonte dos seus alunos, ele aperfeiçoa-se e não conta, não explica, nem demonstra. Ele inspira.

6

A todos os professores de profissão e de coração, votos de um ano novo cheio de resoluções cumpridas, dia após dia, com os seus alunos.

Feliz ano novo!

– Susana Pedro, professora e fundadora da Sociedade do Bem

Imagem pixhder.com

Publicado originalmente em Tribuna Alentejo

 

Eduquem as crianças e não será necessário castigar os homens

aaa

“Eduquem as crianças e não será necessário castigar os homens” é uma citação atribuída a Pitágoras, importante filósofo grego fundador de uma escola de pensamento, que viveu cerca de 500 anos a.C. Educar passa não só por ensinar a ter bons modos ou comportamentos que sejam socialmente aceitáveis, como também conhecimentos e competências emocionais e sociais.

Mas como podemos promover o desenvolvimento destas competências nas crianças? Todos sabemos que crianças bem-ajustadas a nível emocional e social criam mais cedo um sentimento de pertença e ligação (sentem que têm significado, que são importantes) mas têm também mais hipóteses de ter sucesso escolar. De pouco adianta tentarmos ensinar uma criança a ler e a contar se o medo que ela sente de falhar ou a falta de confiança nas suas capacidades a bloquearem. Uma criança com confiança e autoestima elevada, que sabe relacionar-se com os outros, aprende a regular o seu comportamento, a resolver conflitos ou trabalhar em equipa.

Não há mezinhas ou receitas que sirvam para todas as crianças mas há dicas que ajudam. Este artigo reúne 10 sugestões que podem desenvolver estas competências nas crianças. Vamos à primeira?

– Ensinar a reconhecer as emoções

Quando uma criança se sente frustrada, por exemplo, nem sempre ela tem um nome para atribuir a essa emoção. Ela sente-se zangada, confusa com o que sente (por exemplo quando perde um jogo), mas não sabe que é frustração que está a sentir. Somos nós, adultos, que devemos ajudar as crianças nessa tarefa de dar um nome às emoções, porque só identificando o que elas próprias sentem poderão aprender a reconhecer as emoções alheias e, consequentemente, a colocar-se no lugar dos outros. É a falta de ferramentas para compreenderem o que estão a sentir que leva muitas das vezes a birras e a situações descontroladas.

– Comunicar de uma forma eficaz

Às vezes não entendemos muito bem o que as crianças querem comunicar e, por outro lado,  elas também nem sempre compreendem o que nós lhes estamos a transmitir. Supomos que nos compreendemos mutuamente, o que nem sempre acontece. Estas barreiras de comunicação podem levar a mal entendidos. Devemos ouvir ativamente o que as crianças estão a transmitir e sermos claros quando falamos com elas.

– Envolver-se nas atividades das crianças

Não há melhor forma de nos aproximarmos das crianças do que partilhar os seus interesses. Brincar, jogar com elas, dançar, ler uma história, fazer desenhos juntos… são atividades que devemos fazer com as crianças sempre que possível. Esses momentos de partilha são oportunidades divertidas para criarmos com elas uma maior conexão.

– Mostrar que os sentimentos e necessidades das crianças são válidos

As crianças precisam de entender que os sentimentos contam, que são importantes, mas ao mesmo tempo compreender que elas não são o centro do mundo. Como elas, há muitas outras crianças que também têm desejos e direitos. Elas ocupam um lugar importante mas é preciso que aprendam a respeitar os outros.

– Encorajar as crianças a encontrarem soluções para os seus próprios problemas

Muitas vezes temos vontade de dizer às crianças como devem resolver os seus problemas. Mas quando o fazemos não as estamos a ajudar a ganhar autonomia, independência e confiança nas suas decisões. É por isso que é tão importante direcionarmos a crianças a serem elas a encontrar soluções desde cedo. Um bom método é perguntarmos o que elas acham que resolveria a situação. Decidir leva-as a compreender que têm controlo sobre as suas vidas.

– Focar o comportamento que queremos mudar e não a personalidade da criança
Quando uma criança se comporta de uma forma desadequada, devemos sempre manter o foco no comportamento que queremos mudar e não na criança em si. Não devemos dizer “És preguiçoso/a” ou “És má/mau” porque as crianças acreditam no que lhes dizemos e interiorizam as críticas. Ela não é má, o seu comportamento é que pode ser melhorado!

– Ajudar a criança a descobrir o que tem de especial
Cada criança é única e especial. Quando uma criança descobre o seu talento sente mais autoconfiança. O talento pode estar ligado à dança ou à música mas nem sempre devemos estar focados no mais óbvio. Saber cuidar de animais ou gostar de ajudar os outros permite às crianças desenvolverem competências sociais e a relacionarem-se melhor com o mundo que as rodeia.

– Incentivar o debate e a discussão
As crianças têm de praticar ouvir e falar. Estas oportunidades têm de ser dadas sempre que possível. Devemos incentivá-las a partilhar as suas histórias connosco e a tomarem decisões sobre atividades que as incluam.

– Ser um modelo
As crianças imitam os exemplos dos adultos. É importante estarmos atentos aos pormenores porque… elas estão! Uma criança aprende mais depressa a ter bons modos se palavras como “obrigado” ou “se faz favor” fizerem parte do seu dia-a-dia, da mesma forma que aprende que devemos respeitar os outros se vir que os pais ou os adultos que a rodeiam tratam os outros com respeito.

– Respeitar a criança
Respeitar a criança, os seus gostos, o seu espaço e o seu próprio ritmo, é respeitar a sua natureza. A criança está aprender aquilo que a experiência de vida nos ensina há muitos anos. Orientá-la nesse caminho, com respeito, amor e dedicação é a chave para criar um ser humano que sabe colocar-se no lugar do outro, que é altruísta e positivo perante os desafios da vida, mesmo nos momentos mais adversos.

Susana Pedro, professora e fundadora da Sociedade do Bem

Publicado originalmente em Up to Kids

Imagem: www.buzzfeed.com